Com SAF travada, clube da Série B agoniza com dívida de R$ 367 milhões: ‘Sem condições’

Com SAF travada, clube da Série B agoniza com dívida de R$ 367 milhões: ‘Sem condições’

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Divulgação

Publicado em 24/09/2026 às 21:03 / Leia em 3 minutos
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A Ponte Preta enfrenta um quadro financeiro que inclui cerca de R$ 367 milhões em dívidas, segundo levantamento apresentado pelo diretor jurídico do clube, José Henrique Specie, durante entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes. O valor foi identificado em uma auditoria independente realizada na instituição.

Além do volume de débitos, o clube convive com a penhora de patrimônio e com tentativas de bloqueio de contas bancárias. Specie afirmou que a Ponte Preta não tem atualmente condições de cumprir todas as obrigações financeiras. “O clube hoje não possui condições de honrar esses compromissos. O estádio está apenhorado, o clube social está apenhorado. Os executivos tentam bloquear contas correntes”, declarou.

Diante desse cenário, a recuperação judicial é considerada pelo departamento jurídico como uma possibilidade para reorganizar os débitos no futuro. O dirigente, no entanto, explicou que a Ponte ainda não teria capacidade financeira para apresentar um plano de pagamento sustentável. “Na minha visão, a única possibilidade de que a Ponte Preta venha a racionalizar essa dívida é buscar no futuro uma recuperação judicial”, afirmou.

Para que uma eventual recuperação judicial seja viável, o clube precisa ampliar a geração de receitas. A discussão também está relacionada ao projeto de criação de uma Sociedade Anônima do Futebol, a SAF, que poderia atrair investidores e gerar novos recursos para o futebol e para a associação. Segundo Specie, parte desses valores poderia ser destinada ao pagamento das dívidas.

A situação também impõe desafios para os próximos meses. A previsão apresentada pelo diretor jurídico é de que a Ponte Preta termine 2026 com um déficit de aproximadamente R$ 10 milhões. O patrocínio master da Crear Empreendimentos representa uma nova fonte de receita, mas, de acordo com o dirigente, não é suficiente para cobrir todos os compromissos do clube, que incluem custos do futebol profissional, salários de funcionários, manutenção da estrutura, tributos, acordos de dívidas e obrigações com o CNRD.

Para 2027, a estimativa é trabalhar com um orçamento anual de cerca de R$ 40 milhões. O valor deverá contemplar as despesas do futebol profissional, além de estádio, funcionários, clube social, centro de treinamento, categorias de base e compromissos financeiros.

A SAF também foi discutida na Assembleia realizada no último sábado. Segundo Specie, os associados não analisaram naquele encontro um contrato definitivo nem uma proposta específica de investidor. A votação tinha como objetivo autorizar a continuidade do processo de constituição da SAF, permitindo que o clube avaliasse posteriormente propostas firmes e possíveis contratos.

A votação terminou com 384 votos, sendo 234 favoráveis e 150 contrários. Como o estatuto da Ponte Preta exige aprovação de dois terços dos presentes, eram necessários 256 votos a favor. Dessa forma, a proposta ficou 22 votos abaixo do quórum exigido.

O resultado da Assembleia ainda passa por análise interna. A direção da Ponte Preta deverá informar os associados e a comunidade pontepretana sobre os próximos passos do processo.

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