O carrinho continua na Barra, mas a Amaré já está pensando bem maior. Depois de transformar um sorvete artesanal de coco servido dentro da própria casca em um dos novos xodós gastronômicos de Salvador, a marca se prepara para dar um passo importante na operação: terá uma fábrica própria e quer chegar ao verão com novos pontos de venda na cidade.
Criada em maio deste ano pelos sócios Eduardo Pinheiro Silva, Bia Louzão e Felipe Almazo, a Amaré começou com um único carrinho, funcionando aos finais de semana na região do Farol da Barra. O negócio, que começou faturando cerca de R$ 3 mil no primeiro mês, chegou a R$ 106 mil em agosto.
O salto no faturamento veio acompanhado de um desafio: aumentar a capacidade de produção. A Amaré decidiu, então, assumir o espaço onde funcionava a antiga Il Sordo, também na Barra. O local já contava com uma estrutura de fabricação de sorvetes e será adaptado para concentrar a produção da marca.
A ideia inicial era construir uma fábrica em outro galpão, mas o prazo até o verão tornou a alternativa pouco viável.
“Não teríamos tempo hábil para ela ficar pronta até o verão”, conta Eduardo Pinheiro Silva, um dos sócios da Amaré, em entrevista ao Alô Alô Bahia.
Sucesso de vendas
O movimento responde a uma demanda que cresceu mais rápido que a estrutura inicial do negócio. Segundo reportagem publicada pelo porta Pequenas Empresas & Grandes Negócios, a produção passou de cerca de 20 unidades por dia no início da operação para até 400. Em alguns momentos, as filas chegaram a durar 1h40.
A produção também exige trabalho manual. O coco precisa ser descascado, aberto e ter a polpa retirada antes de virar matéria-prima para o sorvete e embalagem para o produto final.
Para fazer tudo isso, a empresa conta atualmente com nove colaboradores.
Dois novos pontos no radar
Para o verão, os sócios planejam abrir um ponto de take away nas proximidades do Farol da Barra e colocar mais um carrinho em operação. A segunda e possível terceira localização ainda está em definição: pode ficar nas imediações do próprio Farol ou no Porto da Barra.
O carrinho que deu início à operação será mantido.
“A gente não pensa em tirá-lo dali. Pelo contrário, quer ter mais um carrinho nas imediações e talvez outro no Porto da Barra”, afirma Eduardo.
Com isso, a Amaré poderá chegar ao verão com três pontos na região do Farol e uma terceira operação no Porto da Barra. O objetivo é começar a nova fase da empresa já a partir de outubro, quando a estrutura de produção deverá estar em funcionamento.
Com isso, a Amaré poderá associar o produto à identidade da Barra, transformando o sorvete servido no coco em uma referência gastronômica do bairro, ocupando um espaço semelhante ao que outros estabelecimentos e personagens já construíram em diferentes regiões de Salvador.
Na Ribeira, a icônica sorveteria virou um endereço associado à sobremesa e ao próprio bairro. No Rio Vermelho, Dinha e Cida ajudaram a transformar seus restaurantes em referências da identidade gastronômica local.
Da Tailândia para Salvador
A ideia nasceu de uma lembrança de viagem. Em 2019, Eduardo conheceu na Tailândia o conceito de servir sorvete dentro da casca do coco. Anos depois, já fora do mercado publicitário, ele retomou a referência ao assistir a um documentário sobre gastronomia de rua asiática.
A proposta foi levada a Felipe e Bia, e os três passaram cerca de três meses desenvolvendo o produto antes de colocá-lo à venda.
Felipe ficou responsável pelo desenvolvimento da receita, enquanto Eduardo assumiu a identidade visual e as estratégias de redes sociais, e Bia concentrou-se na gestão e no planejamento do negócio.
O carro-chefe é um sorvete artesanal de coco servido com três bolas dentro da própria casca da fruta. A receita não leva glúten nem aromatizantes artificiais e utiliza leite de coco extraído da própria fruta. Também há uma versão individual servida no copo.
O crescimento foi rápido. A Amaré começou com investimento inicial de cerca de R$ 50 mil e apenas um carrinho aos finais de semana. Poucos meses depois, já tinha alcançado faturamento mensal de seis dígitos e ampliado a operação para dar conta da demanda.
A marca também ganhou visibilidade fora da rotina do carrinho. Em agosto, foi convidada para vender o sorvete no show de Anitta em Salvador, em uma operação especial montada para o evento, conforme revelado com exclusividade pelo Alô Alô Bahia na época.