Paço Municipal de Salvador terá obras de recuperação após incêndio com investimento de R$ 18 milhões

Paço Municipal de Salvador terá obras de recuperação após incêndio com investimento de R$ 18 milhões

Redação Alô Alô Bahia

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Antonio Queiroz

Publicado em 15/09/2026 às 13:04

As obras de recuperação e requalificação do Paço Municipal da Câmara de Salvador foram autorizadas nesta terça-feira, 15, durante uma cerimônia realizada em frente ao prédio histórico. O prefeito Bruno Reis e o presidente da Câmara Municipal, Carlos Muniz (PSDB), assinaram a autorização para publicação da ordem de serviço.

Com prazo estimado de 12 meses, a intervenção será realizada pelo Consórcio Paço Municipal Pentágono/Flex, vencedor da licitação conduzida pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (Sucop). O contrato tem valor de R$ 18.045.258,80, cerca de 20% abaixo do orçamento inicial, calculado em R$ 22,7 milhões. O projeto foi apresentado pela presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), a arquiteta Tânia Scofield.

A reforma ocorre após o incêndio que atingiu o Paço em 24 de fevereiro de 2025. Segundo o projeto, a cobertura será reconstruída com substituição das estruturas de madeira danificadas e instalação de um novo telhado com telhas cerâmicas coloniais, mantendo as características arquitetônicas do imóvel. O fogo começou após um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado no Salão Nobre e atingiu o espaço entre o forro e o telhado.

Além da recuperação da estrutura, o prédio receberá novas instalações elétricas e hidráulicas, sistemas de climatização e ventilação e adaptações de acessibilidade. Também estão previstos novos acessos no subsolo e no térreo, elevadores, recepção e escada de serviço. O Salão Nobre será integrado a um novo foyer, que também terá espaço para exposições, enquanto um auditório com 128 lugares será construído ao lado.

O projeto inclui ainda um mezanino destinado à comunicação institucional, com áreas para a Diretoria de Comunicação, TV Câmara e Rádio Câmara, além de estúdios, redação e salas de edição. O sótão também será aproveitado com novas salas, enquanto o telhado receberá uma solução para acomodar os condensadores do sistema de ar refrigerado, inspirada em uma tecnologia utilizada em prédios tombados de Veneza.

A presidente da FMLF destacou que a intervenção busca preservar a estrutura de um imóvel construído no século XVII. “Acho que não é uma obra difícil, mas é basicamente uma obra de restauro de um prédio tombado, construído no século XVII. Ele teve algumas alterações ao longo do tempo. Depois, em 1960, foi novamente recuperado para retomar a sua fachada original. Então, em termos de estrutura de um bem tombado, basicamente não será modificado. Muito pelo contrário. A gente está recuperando aquilo que foi perdido ao longo dos anos e as suas características originais, recuperando e dando funcionalidade à Câmara”, afirmou Scofield.

Durante o evento, Carlos Muniz explicou que o funcionamento da Câmara será reorganizado após a conclusão da reforma. “Nós iremos fazer aqui poucas sessões depois da restauração. Serão realizadas a sessão de reabertura dos trabalhos legislativos, eleição da Mesa Diretora e uma sessão por vereador por ano. As sessões ordinárias serão realizadas no novo plenário, que será criado no antigo Cine Excelsior. Até lá, usaremos o Centro de Cultura. Esperamos que seja feita a licitação do Cine Excelsior, o mais breve possível, para que possamos fazer as sessões ordinárias lá na nova Casa do Povo, que terá agora duas sedes”, disse o presidente.

Bruno Reis também anunciou mudanças previstas para os imóveis municipais da região. O prédio da Prefeitura deixará a Praça Thomé de Souza e passará a funcionar no Palácio da Sé, próximo à Câmara, quando o Legislativo for transferido para o Cine Excelsior. O prefeito afirmou ainda que o Centro de Cultura da Câmara deverá ser transformado em um centro de convenções após a desmobilização e reforma dos espaços.

Desde o incêndio, o Paço permanece interditado, com parte das atividades legislativas transferida para o Plenário Cosme de Farias, onde ocorrem as sessões ordinárias e solenes. As demais atividades continuam no Centro de Cultura Vereador Manuel Querino. Para o diretor-geral da Câmara, Adriano Gallo, a recuperação permitirá que o imóvel volte a receber atividades voltadas à memória e à cultura de Salvador.

“Graças a Deus, as dimensões do incêndio foram contidas pelo Corpo de Bombeiros, então os prejuízos foram minimizados. E agora, com a parceria entre a Câmara Municipal de Salvador e a Prefeitura, essa obra vai ser iniciada. O Paço vai ser transformado num grande centro de memória e cultura aqui para a cidade de Salvador. A partir do momento em que o Paço for devolvido à população, vai ser mais um ponto de atração turística para a cidade”, pontuou.

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