Minha compra vai atrasar? Entenda como greve dos Correios afeta encomendas

Minha compra vai atrasar? Entenda como greve dos Correios afeta encomendas

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura, com informações de Correio

Agência Brasil

Publicado em 11/09/2026 às 17:02

A greve dos Correios, iniciada nesta sexta-feira (11), pode provocar atrasos na entrega de encomendas e correspondências em diferentes regiões do país. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira por trabalhadores de praticamente todo o Brasil, segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect). Apenas o Acre ainda terá assembleia para decidir sobre a adesão ao movimento. Até a manhã desta sexta, os Correios não haviam divulgado um balanço nacional sobre a quantidade de funcionários parados nem anunciado uma interrupção geral dos serviços.

A paralisação pode afetar diferentes etapas do caminho percorrido por uma encomenda, como postagem, tratamento e triagem, transporte, distribuição e entrega. Por isso, uma redução no número de funcionários em qualquer uma dessas fases pode comprometer o fluxo dos objetos. Na Bahia, onde a greve também foi aprovada, informações divulgadas nesta sexta apontam para possíveis impactos no funcionamento das agências e nas entregas de encomendas e correspondências. Ainda assim, a entrada em greve não significa que toda compra necessariamente ficará atrasada. O efeito depende da adesão dos trabalhadores, das regiões de origem e destino, da etapa em que o objeto está e do serviço contratado.

Para quem já aguarda uma encomenda, a orientação é acompanhar o código de rastreamento e verificar as movimentações registradas no sistema. Nas compras internacionais, o consumidor também deve conferir qual empresa será responsável pela entrega no Brasil, já que nem todos os objetos enviados por sites estrangeiros passam pelos Correios. A Receita Federal orienta o comprador a consultar o código de rastreamento para identificar a transportadora responsável. Também não há garantia de que encomendas enviadas por PAC ou Sedex escapem de possíveis atrasos. Em uma greve de 2020, os Correios mantiveram os dois serviços disponíveis e adotaram medidas de contingência, enquanto, em 2018, PAC e Sedex continuaram sendo postados e modalidades com características específicas, como Sedex Hoje, Sedex 10 e Sedex 12, tiveram suspensões em determinadas localidades.

A diferença entre as modalidades também influencia o tratamento das encomendas. O Sedex possui transporte prioritário, enquanto o PAC não conta com essa prioridade. Em uma paralisação, entretanto, os dois dependem das estruturas de triagem, transporte e distribuição dos Correios e podem sofrer impactos caso haja redução do efetivo. Se a entrega, a primeira tentativa de entrega ou a disponibilização do objeto para retirada ocorrer depois do prazo estabelecido para o serviço contratado, os Correios consideram a encomenda atrasada. A estatal prevê indenização por atraso quando a demora ocorre por falha dos próprios Correios. No PAC, a devolução de parte do valor pago varia conforme o período de atraso; no Sedex, os percentuais também mudam de acordo com a quantidade de dias úteis de demora. Serviços com horário determinado possuem regras específicas.

A indenização, porém, não é automaticamente paga ao consumidor que fez uma compra pela internet. As regras dos Correios se referem ao serviço postal contratado, normalmente pago pelo remetente. Para quem comprou um produto online, continua existindo a relação com a loja responsável pela venda e pelo prazo informado ao cliente. Em casos de encomendas internacionais que não sejam entregues dentro do período previsto, a Receita Federal orienta o consumidor a procurar o site onde realizou a compra. Também não é possível saber de antemão quanto tempo a paralisação atual irá durar, já que a greve foi aprovada por tempo indeterminado. As paralisações anteriores tiveram períodos bastante diferentes: em 2025, o movimento começou em 16 de dezembro e terminou após decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), com retorno às atividades em 31 de dezembro, enquanto a greve de 2020 durou 35 dias, de 17 de agosto a 21 de setembro. Em 2019, a paralisação nacional ocorreu de 11 a 18 de setembro. Já em 2018, uma greve iniciada em 12 de março foi encerrada por trabalhadores de diversos estados após decisão do TST, com retorno previsto para 14 de março.

A atual paralisação ocorreu depois do encerramento das negociações da Campanha Salarial sem acordo. De acordo com a Findect, as 35 assembleias realizadas até a noite de quinta-feira aprovaram a greve, enquanto no Acre a votação estava prevista para esta sexta. Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde dos funcionários. A federação afirma que os Correios pretendem alterar a condição da empresa como mantenedora do benefício, o que preocupa os trabalhadores pelos possíveis efeitos sobre o custeio e a assistência destinada a empregados, aposentados e familiares. Antes da paralisação, houve rodadas de negociação e tentativas de mediação no TST, mas, sem acordo, os sindicatos aprovaram a greve por tempo indeterminado.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia