Em menos de duas semanas, o Santos saiu de um transfer ban para uma sequência de contratações que mudou completamente a composição do elenco. Rodinei, Arthur, Everton Cebolinha e, mais recentemente, Philippe Coutinho chegaram para se juntar a Neymar e Gabigol. Pelo peso dos nomes, a formação remete, guardadas as proporções, a uma versão brasileira e mais veterana dos chamados “galácticos”.
A movimentação ocorre em um momento de dificuldades financeiras para o clube e envolve jogadores de renome e salários elevados. Parte desse processo foi viabilizada pela atuação de Neymar e da NR Sports, empresa de Neymar pai, além de uma operação de antecipação de receitas. Os salários dos reforços, porém, serão pagos pelo próprio Santos. Rodinei e Coutinho têm vencimentos, em princípio, inferiores a R$ 1 milhão, enquanto Arthur e Cebolinha ficam acima desse valor.
Recentemente, o Santos antecipou receitas de bilheteria. Uma fonte com acesso à operação informou à coluna que o valor inicialmente discutido era de R$ 15 milhões, enquanto pessoas ligadas à diretoria santista afirmam que a quantia acabou sendo menor. A decisão foi antecipar apenas os valores correspondentes aos jogos que o clube ainda disputará em 2026, estimados entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões. Para aumentar essa receita, o Santos avalia realizar algumas partidas em São Paulo. A intenção é não comprometer receitas de 2027. O clube também recebeu integralmente R$ 8 milhões de um patrocínio firmado com a Baladapp no começo de setembro e reduziu a folha salarial com a saída de dez jogadores desde junho.
Esses recursos, no entanto, não estão destinados exclusivamente às contratações. Tanto o dinheiro da antecipação quanto o valor do patrocínio foram incorporados ao caixa do Santos, que utiliza as receitas para todas as despesas, incluindo os pagamentos relacionados aos novos jogadores. Com exceção de Rodinei, os contratos são curtos, com duração prevista até o fim da temporada. Depois disso, clube e atletas deverão reavaliar a situação de acordo com os resultados de 2026 e o planejamento para 2027.
Participação de Neymar e da NR Sports
A ajuda de Neymar e de Neymar pai ocorre de maneiras diferentes. Dentro de campo, Neymar tem atuado no convencimento dos reforços e na apresentação do projeto santista. Uma pessoa que convive com o jogador relatou que a possibilidade de conquistar um título e conseguir uma vaga na Libertadores por meio da Sul-Americana tem mobilizado o camisa 10. Depois de quase dois anos difíceis no clube que o revelou, ele estaria pessoalmente envolvido na tentativa de reforçar o elenco.
A NR Sports participou diretamente da resolução do transfer ban. A empresa de Neymar pai fez um pagamento de R$ 12 milhões para ajudar o Santos a solucionar a punição. O apoio financeiro, porém, fica restrito a essa operação. Em contrapartida, a NR Sports adquiriu seis propriedades no uniforme do clube: meião, calção frontal, calção posterior, número da camisa, scudetto externo, no centro do peito, e barra traseira da camisa.
A avaliação feita pelo Santos e pela empresa é que um elenco com nomes de maior projeção, combinado com uma melhora nos resultados e uma possível evolução na Sul-Americana, pode elevar o valor dessas propriedades comerciais e também de outros espaços, como o patrocínio master, que continua pertencendo ao clube. A divisão desses valores ainda depende de conversas entre as partes.
O planejamento envolve ainda um cálculo de risco. Uma eventual classificação para a Libertadores pode alterar o cenário financeiro do Santos em 2027 e influenciar decisões sobre a permanência de Neymar e dos demais reforços. No fim do ano, o clube também terá eleições, com o atual presidente Marcelo Teixeira entre os candidatos.