25 anos do 11 de Setembro: documentos revelam riscos ocultos após os ataques

25 anos do 11 de Setembro: documentos revelam riscos ocultos após os ataques

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Sara K. Schwittek/Reuters

Publicado em 11/09/2026 às 07:54

Nos 25 anos dos atentados de 11 de Setembro, Nova York tornou públicos mais de 170 mil páginas de documentos sobre a resposta das autoridades após a queda das Torres Gêmeas. Os registros lançam novas dúvidas sobre o que o poder público sabia a respeito da qualidade do ar em Lower Manhattan e indicam que moradores e trabalhadores podem ter sido orientados a retornar à região antes que ela fosse considerada segura.

O material foi disponibilizado pela administração do prefeito Zohran Mamdani em um novo portal público, após anos de pressão e disputas judiciais movidas pela organização 9/11 Health Watch. A primeira leva reúne cerca de 170 mil páginas, incluindo relatórios sobre qualidade do ar, contaminação, correspondências entre autoridades e documentos relacionados à resposta da cidade aos atentados.

Entre os arquivos estão registros de 68 caixas que só foram localizadas em 2025, apesar de sucessivos pedidos feitos com base na legislação de acesso à informação de Nova York. O conjunto também inclui o chamado Harding Memo, documento interno que tratava, entre outros pontos, da possível responsabilidade jurídica da prefeitura diante dos riscos associados à qualidade do ar.

A prefeitura afirma que o material divulgado agora é apenas o início. Novos documentos deverão ser revisados e publicados ao longo dos próximos 12 meses. Para criar e manter o portal, a administração destinou US$ 34 milhões.

Os documentos ajudam a reconstruir o cenário das semanas e meses seguintes aos ataques. Segundo os registros, havia evidências de contaminação por substâncias tóxicas, incluindo amianto, enquanto autoridades públicas continuavam transmitindo à população a ideia de que o ar na região era seguro.

Um dos aspectos mais preocupantes é que registros ambientais indicam que o amianto continuava sendo encontrado até 10 meses depois dos atentados, inclusive a cerca de 800 metros do local do World Trade Center.

A divulgação reacendeu o debate sobre a atuação das autoridades naquele período. O prefeito Zohran Mamdani afirmou que moradores e trabalhadores foram prejudicados por informações que minimizaram os riscos existentes no entorno do Ground Zero.

A exposição à mistura de poeira, produtos químicos e outros contaminantes atingiu especialmente bombeiros, policiais, equipes de resgate, trabalhadores da limpeza e moradores de Lower Manhattan. Mais de 91 mil trabalhadores de resgate, recuperação, limpeza e voluntários foram expostos aos riscos ambientais associados ao local, segundo o programa de saúde da própria cidade.

Os efeitos da exposição se prolongaram por décadas. Segundo dados recentes do World Trade Center Health Program, mais de 145 mil pessoas continuam recebendo tratamento por problemas de saúde relacionados aos atentados, enquanto quase 10 mil participantes do programa já morreram. Entre as principais doenças estão diferentes tipos de câncer, problemas respiratórios e transtornos relacionados ao trauma.

O número de mortes posteriores relacionadas a doenças associadas à exposição já supera, portanto, as 2.977 pessoas que morreram diretamente nos atentados, embora o próprio programa ressalte que a contagem de óbitos entre seus participantes inclui mortes por diferentes causas e não significa que todas possam ser atribuídas exclusivamente à exposição ao 11 de Setembro.

Entre os bombeiros de Nova York, o impacto também se tornou uma das faces mais dolorosas do legado do ataque. O número de integrantes do FDNY mortos posteriormente por doenças relacionadas à exposição já ultrapassou o total de 343 bombeiros que morreram no próprio dia dos atentados.

A nova documentação, divulgada justamente quando os Estados Unidos relembram os 25 anos do 11 de Setembro, deve ampliar a discussão sobre a resposta das autoridades, os riscos enfrentados pelas pessoas que permaneceram na região e as consequências de longo prazo da exposição ao ar contaminado.

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