Feira Vegana de Salvador completa mais de 70 edições unindo gastronomia e sustentabilidade; conheça o movimento

Feira Vegana de Salvador completa mais de 70 edições unindo gastronomia e sustentabilidade; conheça o movimento

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Reprodução

Publicado em 29/08/2026 às 12:08

O que começou em 2017 como um encontro articulado por um grupo no Facebook para enfrentar a falta de opções de produtos e restaurantes sem origem animal em Salvador acabou se transformando em um dos movimentos itinerantes mais duradouros ligados ao veganismo na capital baiana. Ao longo de sua trajetória, a Feira Vegana de Salvador já realizou mais de 70 edições e passou por diferentes espaços da cidade, construindo uma história que une gastronomia, ativismo, sustentabilidade e incentivo ao pequeno empreendedor.

A ideia nasceu de uma necessidade bastante concreta: encontrar em Salvador produtos e alimentos veganos era uma tarefa difícil. Diante da escassez de estabelecimentos especializados, um grupo de pessoas decidiu criar um espaço que reunisse empreendedores e consumidores interessados em alternativas sem ingredientes de origem animal.

Segundo a organização, a proposta desde o início ia além de oferecer comida. A feira surgiu com o objetivo de preencher uma lacuna existente na cidade, promover o veganismo e criar um ambiente de mobilização em defesa da libertação animal.

O primeiro encontro aconteceu no entorno do Parque da Cidade e, desde então, a feira ganhou caráter itinerante. Ao longo dos anos, ocupou alguns espaços conhecidos de Salvador, entre eles o Passeio Público, a Casa Guió e o Museu de Arte da Bahia. A circulação por diferentes pontos da capital ajudou a aproximar a iniciativa de públicos diversos e transformou a feira em um ponto de encontro para a comunidade vegana e vegetariana.

Em média, cada edição recebe entre 300 e 500 pessoas. O público, no entanto, não se limita a quem já segue o veganismo. A feira também atrai curiosos, pessoas interessadas em alimentação mais sustentável e consumidores que desejam conhecer produtos e sabores diferentes.

Um dos elementos que ajudaram a consolidar a Feira Vegana de Salvador foi justamente a diversidade da gastronomia oferecida ao público. Longe da ideia de que a alimentação vegana se resume a saladas, o evento reúne pratos capazes de reproduzir e reinventar diferentes tradições culinárias.

Ao longo das edições, o público encontrou desde clássicos da culinária baiana, como a feijoada, vatapá, caruru, até pratos inspirados nas cozinhas oriental e indiana. Massas, hambúrgueres e uma variedade de doces, salgados e queijos vegetais também fazem parte da história da feira.

Brigadeiros, croissants, bolos e pratos temáticos estão entre os produtos que conquistaram espaço entre os frequentadores. Também ganharam destaque iguarias como cachorro-quente vegetal e hot temakis, que acompanham a iniciativa desde suas primeiras edições.

A diversidade de produtos também ajudou a mostrar ao público de Salvador que a alimentação sem ingredientes de origem animal poderia ocupar diferentes espaços e formatos, indo muito além de nichos especializados.

Desde o início, a proposta da Feira Vegana de Salvador esteve ligada à criação de um espaço de convivência e disseminação de informações. Por isso, a programação não se restringe à alimentação e inclui atividades relacionadas à saúde, sustentabilidade, direitos dos animais e veganismo.

Palestras com nutricionistas e ativistas fazem parte da trajetória do projeto e ajudam a aproximar informação e prática. A própria seleção dos expositores segue critérios relacionados à proposta da feira. Para participar da área de alimentação, o empreendedor precisa ser, no mínimo, vegetariano.

A exigência busca manter uma coerência entre os produtos comercializados e os princípios que deram origem ao projeto, reforçando a ligação da feira com a causa animal.

O papel da feira no empreendedorismo local

Mais do que criar um ponto de encontro para consumidores veganos, a iniciativa também abriu espaço para pequenos negócios que encontravam dificuldades para alcançar novos públicos. A Feira Vegana passou a funcionar como uma vitrine para microempreendedores de Salvador e da Região Metropolitana apresentarem alimentos, produtos e trabalhos artesanais.

Esse aspecto se tornou uma das marcas do projeto. Ao mesmo tempo em que divulga o veganismo, a feira cria oportunidades para empreendedores que atuam em um mercado ainda considerado de nicho ampliarem sua rede de clientes e fortalecerem seus negócios.

Manter esse modelo, porém, não é simples. A organização não conta com patrocínios fixos nem com apoio governamental e, atualmente, a estrutura das edições é financiada pelas taxas pagas pelos próprios expositores.

A sustentabilidade financeira é, por isso, um dos principais desafios para a continuidade da iniciativa. Entre os planos da organização está a inscrição do projeto em editais culturais e programas de incentivo público. A expectativa é conquistar recursos que permitam realizar as edições com maior tranquilidade e, consequentemente, diminuir os custos para os empreendedores participantes.

Edição de Primavera

A próxima edição da Feira Vegana de Salvador acontece nos dias 12 e 13 de setembro, no Parque da Cidade, celebrando a chegada da primavera. O encontro terá mais de 25 expositores de gastronomia e artesanato, além de atividades como aulas de yoga, apresentações musicais, feira de troca de livros e ações de ativismo em parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira e a Mercy For Animals.

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