A Patrulha Guardiã Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal de Salvador (GCM), realizou mais de 800 atendimentos a mulheres vítimas de violência entre 2025 e 2026. A equipe atua na proteção das vítimas, no atendimento de ocorrências e no encaminhamento para os serviços da rede municipal de enfrentamento à violência contra a mulher.
Atualmente, a patrulha conta com 16 agentes capacitados especificamente para esse tipo de atendimento. De acordo com a coordenadora da equipe, Jéssica Reis, os profissionais são dedicados exclusivamente à função, o que permite uma atuação especializada.
Entre as ocorrências mais frequentes estão casos de importunação sexual em ônibus, pontos de ônibus e locais de grande circulação, além do descumprimento de medidas protetivas.
Como funciona o Botão Lilás
Mulheres que estiverem em situação de risco podem acionar o Botão Lilás, serviço disponibilizado pela Prefeitura de Salvador por meio do WhatsApp (71) 99781-3420. O canal também pode ser utilizado por pessoas que presenciarem uma situação de violência.
Após o acionamento, a Central de Operações direciona a equipe mais próxima ao local. Enquanto os agentes se deslocam, são levantadas informações sobre a ocorrência e a localização da vítima para preparar o atendimento.
Em situações de flagrante, o suspeito pode ser detido e encaminhado à Polícia Civil.
A prioridade, segundo a coordenadora, é garantir a segurança da vítima e realizar o atendimento inicial. Dependendo da ocorrência, os envolvidos podem ser conduzidos a uma delegacia especializada.
Atuação integrada
A Patrulha Guardiã Maria da Penha também trabalha em conjunto com órgãos que integram a rede de proteção às mulheres, como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher Loreta Valadares, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Defensoria Pública.
A equipe pode atuar em casos de descumprimento de medidas protetivas. Atualmente, porém, a patrulha não realiza monitoramento preventivo ou visitas periódicas às mulheres protegidas por decisões judiciais. O trabalho está concentrado principalmente na resposta aos chamados feitos pelo Botão Lilás.
Quando um agressor é encontrado em uma ocorrência de descumprimento de medida protetiva, ele é encaminhado à Polícia Civil. Caso não seja localizado, a vítima recebe orientação para registrar a ocorrência, permitindo que o descumprimento seja formalizado e comunicado à Justiça.
A expectativa é de aumento da capacidade de atendimento com o reforço do efetivo previsto a partir do novo concurso da Guarda Civil Municipal.
Prevenção
Além das ocorrências, a patrulha também promove rodas de conversa e palestras voltadas à prevenção da violência. Durante essas atividades, mulheres podem relatar situações vivenciadas e receber orientações sobre os serviços disponíveis.
A equipe também atua na Casa da Mulher Brasileira, garantindo a segurança de vítimas que permanecem no local enquanto aguardam medidas protetivas. Os agentes ainda acompanham mulheres em deslocamentos para unidades de saúde, exames e outros serviços.
Para Jéssica Reis, uma das principais preocupações é interromper o ciclo da violência antes que os casos se agravem. Segundo ela, ações de orientação e a presença das equipes em diferentes espaços de Salvador são importantes para estimular a busca por ajuda desde os primeiros sinais de violência.