Com uma trajetória marcada pela atuação como professor, pesquisador e fundador do Grupo Gay da Bahia, uma das primeiras organizações brasileiras dedicadas à defesa dos direitos da população LGBTQIA+, Luiz Mott tem celebrado a chegada aos 80 anos de uma forma especial.
Na última segunda-feira (24), foi aberta na Biblioteca Central dos Barris, em Salvador, a exposição biobibliográfica “Luiz Mott, 80 anos bem vividos”. A ocasião também marcou o lançamento do livro homônimo, que reúne 25 artigos inéditos de memória, testemunho e opinião assinados por amigos e familiares do ativista.
Em conversa com o Alô Alô Bahia, Luiz Mott falou sobre o novo momento de sua trajetória e fez uma reflexão sobre os avanços e desafios do ativismo LGBTQIA+ na Bahia. Para o pesquisador, celebrar oito décadas de vida também significa olhar para uma história de resistência construída ao longo de anos.

“Essa exposição, aos meus 80 anos bem-vividos, me trouxe muita alegria, porque chegar a oito décadas não é para todos. A expectativa de vida do brasileiro ainda é inferior a 80 anos”, afirmou.
“Me ver retratado nessa bela exposição, com uma centena de fotos, permite que a minha trajetória de vida seja um estímulo para que jovens e outras pessoas também repitam essa mesma odisseia em busca da felicidade, dos direitos humanos, da denúncia contra as injustiças e da defesa dos oprimidos”, completou.

Pioneiro na organização do movimento homossexual brasileiro, Mott construiu uma trajetória de décadas dedicada à defesa dos direitos humanos. Recentemente, ele ganhou destaque nas redes sociais por conta de um trecho de uma antiga entrevista concedida a Regina Casé no extinto programa Brasil Legal, em que aparece falando sobre o combate a homofobia em Salvador, em 1991: “É legal ser homossexual na Bahia”.
regina casé juntando os pombinhos na bahia onde é legal ser homossexual pic.twitter.com/n0get4MLeG
— gabriel (@daddy20cm) December 30, 2022
Ao olhar para trás, o ativista afirma sentir orgulho das transformações que ajudou a construir e da possibilidade de ver novas gerações vivendo a sexualidade de maneira mais livre.
“Apesar de todos os desafios, tivemos conquistas importantes. Hoje vemos jovens gays e lésbicas de mãos dadas, se abraçando e se beijando, assim como os jovens heterossexuais. A imprensa, a mídia e os meios de comunicação, inclusive a internet, cada vez mais abrem espaço para a temática LGBT”, destacou.
Respeito aos que vieram antes
Aos 80 anos, Mott se tornou uma das figuras históricas do movimento LGBTQIA+ brasileiro e reforça a importância de preservar a memória daqueles que abriram caminho para as novas gerações.
“Minha proposta para as próximas gerações é que se espelhem nos gays, lésbicas e travestis que foram heróis e pioneiros na luta pelos nossos direitos. Que os jovens busquem cada vez mais informação sobre homossexualidade e transexualidade e, quando tiverem condições, assumam suas identidades e procurem se espelhar nos bons exemplos da nossa comunidade”, afirmou.

Organizada por Marcelo Oliveira, Marcelo Cerqueira e Salete Maria, a exposição “Luiz Mott, 80 anos bem vividos” pode ser visitada gratuitamente até 9 de setembro, na Biblioteca Central dos Barris.
A mostra ocupa 12 paredes, distribuídas em quatro módulos temáticos: “Família Barros Mott: Infância e Adolescência”; “Vida Escolar, Universidade e Produção Intelectual”; “Militância e Direitos Humanos”; e “Mott Colecionista”.