Rei Harald V, da Noruega, morre aos 89 anos após mais de 35 anos no trono

Rei Harald V, da Noruega, morre aos 89 anos após mais de 35 anos no trono

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Jørgen Gomnæs/The Royal Courta

Publicado em 28/08/2026 às 09:09

O rei Harald V, da Noruega, morreu aos 89 anos nesta sexta-feira (28), informou o Palácio Real. No trono desde 1991, ele era o monarca mais velho da Europa e chefe de Estado do país, uma monarquia constitucional na qual o soberano exerce funções principalmente cerimoniais.

Harald estava internado desde 17 de agosto no Hospital Universitário de Oslo. Ele recebia tratamento com cortisona para anemia hemolítica, condição que reduz a quantidade de glóbulos vermelhos no organismo, e também apresentou uma infecção bacteriana no sangue. Em 27 de agosto, a Casa Real informou que seu estado de saúde era “muito grave”.

A rainha Sonja, o príncipe herdeiro Haakon e outros integrantes da família real estiveram no hospital. Haakon já exercia a função de regente durante o afastamento do pai. Em Oslo, noruegueses deixaram flores diante do Palácio Real enquanto aguardavam notícias sobre o monarca.

Nos últimos anos, Harald havia reduzido gradualmente os compromissos oficiais por causa da idade e de problemas de saúde. Em 2024, após passar mal durante uma viagem à Malásia, recebeu um marca-passo. Naquele mesmo ano, anunciou que diminuiria suas atividades, mas descartou a possibilidade de abdicar e afirmou considerar vitalício o juramento feito como rei.

Nascido em 21 de fevereiro de 1937, em Skaugum, Harald era filho do rei Olav V e da princesa Märtha e neto do rei Haakon VII. Foi o primeiro príncipe a nascer na Noruega em 567 anos. Na época, apenas homens podiam herdar o trono e, por ter duas irmãs mais velhas, Ragnhild e Astrid, seu nascimento garantiu a continuidade masculina da linha de sucessão.

Aos 3 anos, Harald deixou a Noruega com a mãe e as irmãs após a invasão do país pela Alemanha nazista, em 1940. A família passou pela Suécia e depois pelos Estados Unidos, retornando ao país em junho de 1945, após o fim da ocupação alemã.

Harald se tornou príncipe herdeiro em 1957, após a morte do avô e a ascensão de seu pai ao trono. Em 17 de janeiro de 1991, assumiu a Coroa após a morte de Olav V e, quatro dias depois, prestou juramento diante do Parlamento norueguês.

Em 1968, Harald se casou com Sonja Haraldsen, após nove anos de relacionamento. A união gerou controvérsia na época porque Sonja não pertencia à realeza nem à aristocracia, contrariando a expectativa de que o herdeiro se casasse com uma integrante de uma família real europeia. O casal teve dois filhos: Märtha Louise, nascida em 1971, e Haakon, em 1973, atual primeiro na linha de sucessão.

Além das funções como monarca, Harald tinha uma forte ligação com a vela. Representou a Noruega em competições, participou da abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964, como porta-bandeira do país, e conquistou títulos mundial e europeu. Encerrou a carreira competitiva em 2022.

A morte de Harald ocorre em um período especialmente delicado para a família real norueguesa. Em junho de 2026, a princesa herdeira Mette-Marit, mulher de Haakon, passou por um transplante de pulmão após anos de tratamento para uma forma rara de fibrose pulmonar.

Também neste ano, Marius Borg Høiby, filho de Mette-Marit de um relacionamento anterior e que não integra oficialmente a família real, foi condenado a quatro anos de prisão após ser considerado culpado por duas acusações de estupro. Ele negou as acusações mais graves e recorreu.

A monarquia ainda enfrentou desgaste após documentos revelarem contatos frequentes de Mette-Marit com Jeffrey Epstein. A princesa pediu desculpas ao rei e à rainha e reconheceu ter demonstrado “falta de julgamento”. Harald saiu em defesa da nora e afirmou que ela não havia cometido nenhum crime e que havia encerrado cedo o contato com Epstein. A postura foi criticada por especialistas ouvidos pela imprensa norueguesa.

As controvérsias contribuíram para uma queda no apoio à monarquia. Uma pesquisa divulgada em fevereiro de 2026 apontou que 61% dos noruegueses defendiam a manutenção do regime, contra 72% no ano anterior. Apesar disso, o Parlamento rejeitou amplamente uma proposta de substituição da monarquia por uma república, com 141 dos 169 deputados votando contra a mudança.

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