Lito Sousa aparece atualmente com 16 pontos na escala utilizada para avaliar o comprometimento funcional de pacientes com doenças priônicas, como a Doença de Creutzfeldt-Jakob. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (24) por sua esposa, Mila Seidl. Em entrevista à Itatiaia, o neurocirurgião Helton Martins explicou o significado da classificação e sua relação com estudos clínicos.
A pontuação é medida pela MRC Prion Disease Rating Scale, ou MRC-PDRS, que varia de 0 a 20 pontos. Segundo o médico, a escala funciona como uma forma de avaliar a capacidade do paciente para realizar atividades cotidianas. “É como uma ‘régua’ da capacidade funcional do paciente: ela vai de 0 a 20 pontos e avalia aspectos como capacidade de andar, se alimentar, tomar banho, usar o banheiro, falar, se orientar e realizar atividades do dia a dia. Quanto maior a pontuação, mais preservado está o paciente”, esclareceu.
De acordo com Helton Martins, a classificação de 16 pontos permite que Lito atenda a um dos critérios funcionais exigidos pelo estudo PRiSM, desenvolvido pelo Broad Institute e pela Mayo Clinic. “No estudo PRiSM, desenvolvido pelo Broad Institute/Mayo Clinic, um dos critérios de inclusão é ter pelo menos 15 pontos nessa escala. O paciente em questão está atualmente com 16 pontos. Portanto, ele atende a esse critério funcional específico do estudo. Isso é importante porque indica que, apesar da doença, ele ainda se encontra dentro do limite de comprometimento funcional aceito pelo protocolo.”
O neurocirurgião ressaltou, porém, que a pontuação não garante automaticamente a participação no estudo. “Ter 16 pontos não significa que a entrada no estudo esteja garantida. Existem outros critérios de inclusão e exclusão, como confirmação diagnóstica, exames específicos e avaliação da própria equipe de pesquisadores, que também precisam ser preenchidos.”
Sobre o estudo ION717, o médico explicou que o protocolo público prevê a participação de pacientes com doença priônica em estágio inicial, mas não estabelece publicamente uma pontuação mínima específica na MRC-PDRS. “Já no estudo ION717, o protocolo público fala em pacientes com doença priônica em estágio inicial, mas não estabelece publicamente uma pontuação mínima específica da MRC-PDRS para inclusão”, completou.