A morte de Dolly Parton, anunciada nesta terça-feira (25), aos 80 anos, marca o fim de uma carreira extraordinária. Cantora, compositora, atriz, empresária e filantropa, a estrela do country atravessou mais de seis décadas de carreira e construiu um repertório que ultrapassou fronteiras, gerações e estilos musicais. Entre seus maiores clássicos estão “Jolene”, “9 to 5”, “Coat of Many Colors”, “Here You Come Again”, “Islands in the Stream” e, talvez a mais conhecida de todas, “I Will Always Love You”.
Dona de uma voz imediatamente reconhecível e de uma habilidade rara para transformar experiências pessoais em canções universais, Dolly escreveu milhares de músicas ao longo da vida. “Jolene”, lançada em 1973, tornou-se um dos maiores símbolos de sua obra ao narrar o apelo de uma mulher a uma rival que teme perder o marido. A música foi regravada mais recentemente por Beyoncé, em “Cowboy Carter”, de 2024.
Já “Coat of Many Colors” trouxe para a música as memórias de sua infância humilde no Tennessee, enquanto “9 to 5”, tema do filme de mesmo nome, ajudou a consolidá-la também como estrela pop e do cinema.
Mas nenhuma história por trás de uma canção de Dolly Parton é tão conhecida e ao mesmo tempo tão surpreendente quanto a de “I Will Always Love You”. Imortalizada mundialmente por Whitney Houston em 1992, na trilha sonora de “O Guarda-Costas”, a música não foi escrita originalmente como uma canção romântica. Na verdade, era uma despedida.
Dolly compôs a música no início dos anos 1970 para Porter Wagoner, seu parceiro artístico e apresentador do programa de televisão que ajudou a projetá-la nacionalmente. Os dois formaram uma dupla de enorme sucesso, mas, depois de sete anos trabalhando juntos, Dolly queria seguir carreira solo. A decisão, porém, provocou conflitos entre os dois, e Wagoner resistia à ideia de vê-la partir.
Sem conseguir expressar em palavras tudo o que sentia, Dolly fez aquilo que sabia fazer melhor: escreveu uma música. “I Will Always Love You” era, essencialmente, sua maneira de dizer a Porter que precisava ir embora, mas que nunca deixaria de reconhecer sua importância em sua vida e carreira. A própria Dolly relatou, anos depois, que escreveu a canção tentando encontrar a forma certa de se despedir.
A versão original de Dolly chegou ao primeiro lugar das paradas country em 1974, tornando-se um dos grandes sucessos de sua carreira solo. Décadas depois, ganhou nova dimensão quando Whitney Houston a gravou. A interpretação transformou a composição de Dolly em um fenômeno mundial e apresentou a canção a uma geração inteira que, muitas vezes, sequer sabia que aquele clássico havia sido escrito por uma cantora country do Tennessee.