Riachão do Jacuípe, no interior da Bahia, recebe de 4 a 6 de setembro de 2026 o BACINE – Festival de Cinema da Bacia do Jacuípe, evento gratuito que une audiovisual, formação e memória para aproximar o público da produção cinematográfica baiana e ampliar a circulação de obras e realizadores fora dos grandes centros.
A programação inclui Mostra Baiana, Mostra Estudantil, oficinas de formação, atividades culturais, feira de artesanato regional e debates sobre a história do cinema produzido na região. As inscrições para a Mostra Baiana seguem abertas até 24 de agosto, às 23h59, e são gratuitas. Podem concorrer curtas de ficção, documentário, animação e experimental, com até 25 minutos de duração, finalizados a partir de 2024 e realizados por pessoas nascidas ou residentes na Bahia. A Mostra Estudantil, por sua vez, reúne produções de instituições de ensino fundamental, médio, técnico ou superior. O festival distribuirá R$ 3 mil em prêmios, além de troféus e certificados nas diferentes categorias.
Um território com história no cinema
A escolha de Riachão do Jacuípe como sede não é aleatória: a cidade é terra natal do cineasta Olney São Paulo, um dos precursores do documentário no país; o Dia Nacional do Documentário, celebrado em 7 de agosto, homenageia justamente sua data de nascimento. Segundo a jornalista e produtora cultural Laura Ferreira, coordenadora e curadora do BACINE, a região “é uma região cinematográfica” e reivindica esse título por sua ligação direta com a trajetória do cineasta jacuipense, que ao longo da vida retratou o interior brasileiro em obras marcantes.
A relação entre Riachão do Jacuípe e o cinema remonta a décadas. Em 1970, Geraldo Sarno filmou parte de “Coronel Delmiro Gouveia” no distrito de Pé de Serra. Já na década de 1960, Oscar Santana e o próprio Olney São Paulo rodaram “O Caipora” no distrito de Chapada, região onde Olney também gravou Sinais de Chuva. Para reativar essa memória, o festival promove o ECOCINE, passeio ciclístico até o local onde foram filmadas cenas de O Caipora, unindo cinema, história, natureza e território.
A obra e a trajetória de Olney São Paulo também serão tema de uma roda de conversa no dia 4 de setembro, com Yves São Paulo, doutor em Filosofia pela UFBA e organizador da coletânea “Olney São Paulo por ele mesmo”.
Formação como eixo do festival
Além das exibições e debates, o BACINE aposta na formação audiovisual como forma de ampliar o acesso à produção cinematográfica. Três oficinas gratuitas compõem essa frente:
- “Do livro ao cinema: uma adaptação para ficção e documentário”, com a diretora, roteirista e fotógrafa Fernanda Walentina, responsável por documentários como Modernidade Ancestral – Xukuru do Ororubá e É Preto, É Gente?;
- “Cinema de Bolso: possibilidades audiovisuais com equipamentos acessíveis”, ministrada pelo cineasta Ícaro Matheus, que atua há 12 anos na produção audiovisual do Território do Sisal;
- “Fotografia no cinema: do olhar à imagem”, com o artista visual e fotógrafo Wadson Bahia, que já integrou equipes de fotografia de produções como Guerra do Pau de Colher e Terceira Ilha.
Literatura e cinema se encontram
O festival ainda conta com parceria com o projeto LER RIACHÃO, reunindo colégios, instituições e coletivos leitores em uma feira integrada. Para Gilmara Freitas, coordenadora geral da iniciativa, a união entre a Feira Literária e a Mostra de Cinema amplia a proposta de valorização cultural do território, permitindo “ler Riachão pelas palavras e também pelas narrativas audiovisuais”.
Os interessados em participar da Mostra Baiana têm até 24 de agosto, às 23h59, para se inscrever gratuitamente pelo link: https://encurtador.com.br/qbqo