O Preta Maria, restaurante de Bela Gil em São Paulo, chama atenção não apenas pela homenagem à cantora Preta Gil, irmã da chef, mas também pela proposta de levar referências da culinária africana para um espaço de alta gastronomia. Inaugurada no complexo Mata São Paulo, a casa reúne receitas pesquisadas por Bela durante três anos, com influências de países como Nigéria, Angola, Senegal e Moçambique.
O cardápio também faz uma ponte direta com a cozinha brasileira. É o caso do acarajé e abará, que custam R$ 75 e são servidos com vatapá de cará e molho lambão. A proposta coloca dois símbolos da culinária afro-baiana dentro de uma apresentação mais sofisticada.
Entre os pratos principais está o mafê, por R$ 70, um ensopado cremoso de amendoim com legumes e sobrecoxa de frango, finalizado com espuma de leite de coco e óleo de pimenta. A receita tem raízes na África Ocidental e aparece no restaurante em uma interpretação própria de Bela.
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Outra opção é o arroz jollof, de R$ 89. Tradicional da África Ocidental, o prato é preparado com arroz, tomate, cebola, alho, gengibre e especiarias. Na versão do Preta Maria, ganha camarões e lulas grelhados.
Para quem prefere carne, o sega wat custa R$ 80. O guisado bovino é inspirado na culinária etíope e chega à mesa acompanhado de purê de cará, arroz da terra, couve crispy, picles de cebola e ovo.
A parte mais brasileira do menu aparece ainda na moqueca de banana-da-terra com arroz de coco e farofa de dendê, por R$ 75. Há também angu de fubá com ragu de cogumelos ao vinho e ervas, por R$ 80, opção que mantém a proposta de explorar ingredientes de diferentes tradições sem abandonar a identidade brasileira.
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A experiência não fica apenas na comida. O restaurante tem 165 m², com balcão de bar revestido em pedra Bahia azul e estruturas de bambu que percorrem o salão. A carta de drinques segue a mesma lógica autoral, com opções como jurubeba sour (R$ 55), negroni com dendê (R$ 65) e um spritz preparado com cajuína, licor de ervas e espumante, por R$ 59.
Para Bela, a intenção não é apresentar o Preta Maria como um retrato completo da gastronomia africana, mas funcionar como uma porta de entrada para sabores e referências do continente, conectando essa história à influência africana presente na formação da cozinha brasileira.