A Polícia Civil localizou e apreendeu, na última quinta-feira (13), um conjunto de oito gravuras originais do artista francês Henri Matisse.
O material, com valor de mercado estimado em R$ 1 milhão (cerca de US$ 200 mil), havia sido roubado da Biblioteca Mário de Andrade, na região central de São Paulo, em dezembro do ano passado.
De acordo com a BBC Brasil, o acervo foi encontrado no interior de uma residência no município de São Bernardo do Campo (SP). Durante a ação, os agentes prenderam João Paulo Linhares de Araújo, de 44 anos, apontado como o responsável por armazenar os itens a mando dos executores do roubo.
Além dele, outras três pessoas já estavam detidas por envolvimento no caso. O grupo inclui Laéssio Rodrigues de Oliveira, de 53 anos, um conhecido ladrão de obras de arte que está sob custódia desde abril por outra investigação e é apontado como o mentor do crime, além de um terceiro homem e uma mulher.
Apesar do sucesso no resgate das peças do artista francês, cinco obras do modernista brasileiro Cândido Portinari, furtadas na mesma ocasião, continuam desaparecidas.
A ação criminosa aconteceu na metade da manhã do dia 7 de dezembro, data que marcava o encerramento da mostra “Do Livro ao Museu”. A exposição era uma parceria entre a biblioteca e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), celebrando a conexão das duas instituições com o modernismo.
O fio condutor do evento era o legado de Sérgio Milliet (1898-1966), sociólogo e escritor que dirigiu a biblioteca e foi um dos fundadores e diretores artísticos do MAM.
Na ocasião, dois assaltantes entraram pela porta principal, renderam um segurança do local e um casal de idosos que visitava o espaço. Eles recolheram as artes, guardaram tudo em uma sacola de lona e fugiram a pé com destino ao metrô.
As oito peças de Matisse resgatadas agora (Le Clown, Le Cirque, Monsieur Loyal, Cauchemar de L’Eléphant Blanc, Le Codomas, La Nageuse Dans L’Aquarium, L’Avaleur de Sabres e Le Cowboy) faziam parte da edição limitada do aclamado livro de arte Jazz. Henri Matisse é amplamente reconhecido como um dos nomes mais influentes do século XX.
Já as gravuras que continuam sumidas foram concebidas por Cândido Portinari para ilustrar uma edição especial do clássico literário Menino de Engenho, do escritor José Lins do Rêgo. Portinari é um dos pilares do modernismo no Brasil, notabilizado por retratar com maestria a vida de operários e trabalhadores rurais.
Após a recuperação, o acervo de Matisse foi devolvido à Biblioteca Mário de Andrade, que reforçou seus protocolos de segurança.
Esta não foi a primeira vez que a instituição paulistana sofreu um grande desfalque em seu patrimônio. Em 2006, o local foi alvo do furto de 12 ilustrações do século 19 (datadas de 1834 e 1835).
As peças eram pinturas feitas à mão pelo suíço Johann Jacob Setinmann, retratando paisagens brasileiras para o livro Souvenirs de Rio de Janeiro, do alemão Karl Hermann Konrad Burmeister.
O material, que tinha como destino o mercado clandestino, só foi recuperado pela Polícia Federal no início de 2024. As obras estavam em posse de um colecionador brasileiro, que havia comprado as peças de forma legal em uma casa de leilões em Londres.
