Quarta onda de calor atinge a Europa; seca e ventos agravam crise climática

Quarta onda de calor atinge a Europa; seca e ventos agravam crise climática

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Unsplash

Publicado em 04/08/2026 às 08:22 / Leia em 4 minutos

O continente europeu volta a sofrer com temperaturas extremas e suas graves consequências. A atual onda de calor, a quarta registrada na região desde o mês de maio, ultrapassa o desconforto térmico e impõe um cenário crítico: rios sem volume suficiente para a geração de energia, cidades evacuadas às pressas, incêndios devastadores e um número de mortes que já supera as estatísticas habituais.

Nos próximos dias, a previsão é de que os termômetros atinjam ou ultrapassem a marca dos 40°C. Neste início de semana, o núcleo de calor castiga especialmente a Espanha, Portugal e França, com previsão de deslocamento gradual em direção ao leste e ao centro europeu.

Na Espanha, as máximas podem bater os 42°C na região sul. A França projeta picos de 40°C em sua porção oeste, enquanto Portugal lida com o risco altíssimo de queimadas no norte, centro e sul de seu território.

Até mesmo nações com climas historicamente mais amenos estão sofrendo. No sudeste da Inglaterra, a temperatura pode chegar aos 35°C, um grande desafio estrutural para um país onde a maioria dos edifícios foi projetada para reter calor no inverno, e não para suportar o calor excessivo.

Simultaneamente às altas temperaturas, grandes focos de incêndio atingem a França e a Espanha, deixando vítimas fatais, destruindo imóveis e forçando megaoperações de resgate e evacuação.

Condições extremas para a propagação do fogo também colocam em alerta partes de Portugal, Irlanda e do Reino Unido.

A persistência desse clima extremo é explicada por uma zona de alta pressão atmosférica estacionada sobre a Europa. Esse sistema funciona como um “bloqueio”, impedindo a chegada de frentes frias, inibindo a formação de nuvens e garantindo dias consecutivos de céu completamente aberto.

Com isso, o ar desce, esquenta e resseca ainda mais a atmosfera, enquanto correntes de vento transportam massas de ar fervente oriundas do Norte da África.

Sem chuvas, a umidade do solo despenca rapidamente, criando um ciclo vicioso: a energia solar, que normalmente seria consumida na evaporação da água, passa a aquecer de forma direta a superfície e o ar.

Como a vegetação está seca e as noites continuam abafadas, as cidades não conseguem se resfriar antes do próximo dia de sol intenso, prolongando a sensação de calor.

A Europa é o continente que registra o aquecimento mais rápido em todo o globo. Para Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para Mudança Climática, a situação reflete o impacto da poluição por combustíveis fósseis.

“Escolas fechando, pessoas vulneráveis morrendo e economias sofrendo: é assim que a crise climática se apresenta na prática”, alertou Stiell recentemente.

Histórico de extremos desde a primavera

Embora o verão tenha começado apenas em 21 de junho (e o meteorológico vá do início de junho ao fim de agosto), o continente já vem sendo castigado por ondas de calor desde a primavera.

Como cada país adota critérios próprios de medição, o início e o fim desses episódios podem variar, mas o histórico recente evidencia um padrão de aquecimento contínuo:

  • Fim de maio (1ª onda): Calor atípico e recorde em plena primavera. A cidade de Mora, em Portugal, registrou 40,3°C, e anomalias térmicas atingiram a França e o Reino Unido.
  • Meados e fim de junho (2ª onda): Considerado o episódio mais intenso da atual sequência, levou diversos países a registrarem máximas históricas ou temperaturas muito próximas de seus recordes absolutos.
  • Início e meados de julho (3ª onda): Novo período prolongado de calor sufocante, afetando majoritariamente o território francês.
  • Fim de julho e início de agosto (4ª onda): O evento atual, que começou no oeste e agora avança implacavelmente sobre o centro e o sul do continente.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia