Mais de um século depois de a história de Homero ganhar uma das mais influentes releituras da literatura moderna, com “Ulisses”, de James Joyce, “A Odisseia” chega aos cinemas nesta quinta-feira (16) cercada de expectativa e com um consenso entre especialistas: para viver a experiência ideal imaginada por Christopher Nolan, o filme deve ser assistido em uma sala IMAX.
Com orçamento de US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão), o longa foi concebido para as maiores telas possíveis e marca um feito inédito na carreira do diretor britânico: é o primeiro filme de ficção totalmente rodado com câmeras IMAX 70 mm. Para isso, Nolan desafiou a fabricante da tecnologia a desenvolver um novo equipamento, mais leve e silencioso, capaz de registrar até cenas de diálogo, algo inviável nas gerações anteriores devido ao tamanho e ao ruído das câmeras.
O resultado, segundo especialistas, vai muito além de uma tela maior. O diretor de fotografia Adrian Teijido, indicado ao Oscar por “Ainda Estou Aqui”, explicou ao jornal O Globo que o IMAX amplia o campo de visão do espectador graças à proporção expandida da imagem, criando uma sensação de imersão difícil de reproduzir em salas convencionais. Além disso, o uso da película de 70 mm oferece uma resolução muito superior à do tradicional 35 mm, com mais nitidez e uma textura que se aproxima da percepção do olho humano.
Essa busca pela imersão se tornou uma marca da parceria entre Nolan e o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema, iniciada em “Interestelar” e consolidada em filmes como “Dunkirk” e “Oppenheimer”. O cineasta transformou o IMAX em parte essencial de sua linguagem ao criar uma experiência capaz de fazer o público se sentir dentro da história por meio da combinação entre imagem, som e escala.
Apesar de “A Odisseia” ter sido filmado integralmente em IMAX 70 mm, essa versão não poderá ser vista no Brasil. Apenas 41 salas em todo o mundo exibem o formato original, concentradas principalmente nos Estados Unidos, onde ingressos chegaram a se esgotar um ano antes da estreia e fãs viajaram entre estados para acompanhar a projeção idealizada por Nolan.
No Brasil, a experiência mais próxima será oferecida pelas salas IMAX digitais, que exibem o filme na proporção expandida de 1.90:1, preenchendo praticamente todo o campo de visão do público em telas que vão do chão ao teto, além de sistemas de projeção e áudio de alta performance.
Atualmente, o país possui 12 salas IMAX distribuídas entre as regiões Nordeste, Sudeste e Sul. Em Salvador, a opção é o UCI Orient Shopping da Bahia, único cinema da capital baiana equipado com a tecnologia. O ingresso para sessões IMAX na unidade parte de R$ 32 na tarifa inteira entre segunda e quarta-feira, variando conforme o dia e o horário.
Mesmo destacando que o IMAX proporciona uma experiência visual e sonora diferenciada, especialistas ressaltam que quem optar por uma sala convencional não terá prejuízo na compreensão da obra. Os enquadramentos são planejados durante as filmagens para funcionar tanto no formato expandido quanto nas telas tradicionais e, claro que, apesar dos avanços tecnológicos, a força de um filme continua dependendo da narrativa. As ferramentas evoluem, mas é a história que sustenta a experiência cinematográfica. Então, bom filme!
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