Mais de 1,3 mil documentos sobre a história do cinema na Bahia ficam disponíveis on-line

Mais de 1,3 mil documentos sobre a história do cinema na Bahia ficam disponíveis on-line

Redação Alô Alô Bahia

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Fachada do Cine Popular (1967)

Publicado em 14/07/2026 às 18:21 / Leia em 4 minutos

A memória de Walter da Silveira (1915-1970), um dos principais críticos e ensaístas do cinema brasileiro, ganha um novo capítulo de preservação e acesso público. A segunda etapa do Acervo Digital Walter da Silveira será lançada no dia 22 de julho, às 14h, no auditório da Associação Bahiana de Imprensa (ABI-BA), em Salvador, reunindo 1.377 documentos disponíveis on-line.

O lançamento acontece na data em que se celebra o aniversário do crítico de cinema, ensaísta, cineclubista e advogado baiano. Entre os destaques da nova etapa está a documentação do Clube de Cinema da Bahia, espaço fundamental para a formação e a efervescência cultural que impulsionaram a crítica e a realização cinematográfica no estado entre as décadas de 1950 e 1970.

A programação contará com a conferência “A história do cinema vista pelo cineclubismo: Clube de Cinema da Bahia, arquivos e cultura cinematográfica”, ministrada pela pesquisadora Izabel de Fátima Cruz Melo, professora de História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Antes, a equipe do projeto participa de uma mesa-redonda para apresentar a nova fase do acervo.

O site também ganha recursos de acessibilidade e nova identidade visual, além de depoimentos do cineasta Orlando Senna, do ator Antonio Pitanga e da atriz Helena Ignez sobre a importância do Clube de Cinema da Bahia e o legado de Walter da Silveira.

O acervo completo do intelectual baiano reúne mais de 5 mil itens documentais e foi doado pela família Silveira ao Museu de Imprensa da ABI em 2015. O projeto de digitalização surgiu em 2020 e, na primeira etapa, lançada em 2021, disponibilizou 317 documentos, entre cartas e fotografias relacionadas ao cinema brasileiro.

Guido Araújo, Walter da Silveira e Nelson Pereira do Santos no estúdio de Leão Rozemberg em Salvador, possivelmente durante o lançamento de Rio, 40 graus (1955) organizado pelo Clube de Cinema da Bahia

Idealizado e coordenado por Cyntia Nogueira, professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o projeto ampliou, a partir de 2024, o conjunto de documentos selecionados para digitalização. A segunda etapa teve consultoria técnica do preservador Hernani Heffner, gerente da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e de Maíra Salles, professora de Arquivologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Um banco de dados específico foi criado para o Clube de Cinema da Bahia, fundado em 1950 por Walter da Silveira e Carlos Coqueijo da Costa. São 799 documentos relacionados ao cineclubismo, além de 376 fotografias e cartões-postais do cinema internacional e 202 fotografias do cinema brasileiro. Ao todo, 1.377 itens passam a estar disponíveis no site do Acervo Digital Walter da Silveira.

Do ponto de vista histórico, o material permite acompanhar o desenvolvimento da cultura cinematográfica na Bahia e no Brasil entre as décadas de 1950 e 1970. Segundo Cyntia Nogueira, o clube formou gerações de críticos e realizadores e ajudou a criar redes de sociabilidade dentro e fora do país, além de estimular um circuito de exibição e produção de filmes na Bahia e no Nordeste.

“Também foi decisivo para a construção de um corpo crítico sobre o cinema brasileiro, com grande importância na formação do Cinema Novo a partir de Salvador, quando a Bahia assume um protagonismo inédito no debate sobre os caminhos do cinema nacional”, destaca.

O projeto prevê a higienização, restauração, classificação, catalogação, digitalização e disponibilização on-line de documentos que estão sob a salvaguarda do Museu de Imprensa da ABI. “A preservação salvaguarda essa documentação e memória. O Acervo Digital Walter da Silveira representa um passo importante nesse processo, mas o trabalho de conservação é contínuo. Agora, esse patrimônio passa a estar disponível ao público em formato digital, com recursos que facilitam a pesquisa e ampliam o acesso”, explicou Renata Santos, museóloga e coordenadora de Acervos da ABI-BA.

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