FIFA lança guias para jogadoras grávidas e atletas no pós-parto; veja o que muda

FIFA lança guias para jogadoras grávidas e atletas no pós-parto; veja o que muda

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Reprodução

Publicado em 14/07/2026 às 10:57 / Leia em 3 minutos

A FIFA anunciou dois novos guias voltados ao futebol feminino com o objetivo de oferecer mais segurança e suporte às atletas durante a gravidez e no período pós-parto. Os documentos trazem orientações práticas para jogadoras, médicos, fisioterapeutas e treinadores sobre como adaptar treinos, monitorar a saúde e planejar o retorno aos gramados após o nascimento do bebê.

A iniciativa busca preencher uma lacuna no esporte de alto rendimento, onde, historicamente, muitas atletas são afastadas das atividades assim que descobrem a gravidez.

Os guias foram desenvolvidos com base em pesquisas publicadas na revista científica British Journal of Sports Medicine e contam com a participação da pesquisadora Margie Davenport, da Faculdade de Cinesiologia, Esporte e Recreação.

Segundo Margie Davenport, a prática mais comum no futebol ainda é retirar a atleta grávida das atividades da equipe, uma medida que, segundo ela, nem sempre é necessária e pode trazer impactos negativos para a saúde e para o desempenho esportivo a longo prazo.

“A forma mais comum de lidar com jogadoras grávidas é afastá-las de suas equipes assim que engravidam. Isso não só é desnecessário, como muitas vezes contraproducente para a saúde e o desempenho a longo prazo da atleta”, afirmou a pesquisadora.

Ela destaca que os novos materiais são os primeiros a apresentar orientações práticas sobre quando adaptar os treinos, interromper determinadas atividades e como realizar um retorno seguro ao futebol após o parto.

Os documentos utilizam fluxogramas para orientar a avaliação individual de cada atleta, considerando fatores como:

  • estágio da gravidez;
  • condições de saúde;
  • recuperação no pós-parto;
  • saúde mental;
  • medo de voltar aos treinos;
  • saúde do assoalho pélvico;
  • necessidade de acompanhamento médico ou fisioterapêutico.

A proposta é que as decisões sejam personalizadas, permitindo que cada jogadora continue treinando e competindo pelo maior tempo possível, sempre que houver segurança e vontade da atleta.

Segundo Davenport, pesquisas anteriores já demonstraram que a continuidade do treinamento, quando acompanhada por profissionais, pode reduzir o risco de complicações durante a gestação e diminuir a incidência de lesões após o parto.

Além da gravidez, a FIFA também elaborou um guia específico para o retorno das atletas aos gramados após o nascimento dos filhos. O material orienta quando buscar apoio de médicos, psicólogos, fisioterapeutas e consultores de amamentação, reduzindo dúvidas e oferecendo uma estrutura para que o processo de recuperação ocorra de forma mais segura.

“Antes dessas ferramentas havia muita confusão sobre como treinar durante a gravidez e no pós-parto. Agora as atletas podem tomar decisões informadas para continuar jogando enquanto desejarem e puderem”, explicou Davenport.

Para a pesquisadora, a iniciativa representa um avanço importante para o futebol feminino ao reconhecer que é possível conciliar a carreira esportiva com a maternidade.

“É visionário que uma organização esportiva esteja criando ferramentas para colocar isso em prática. Isso mostra às atletas que é possível conciliar a formação de uma família com a construção de uma carreira”, concluiu.

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