Quem perdeu a oportunidade de assistir “A Mulher Mais Rica do Mundo” nas concorridas sessões do Festival de Cinema Francês em Salvador, que tiveram ingressos esgotados e contaram com a presença de Isabelle Huppert no Cine Glauber Rocha, agora pode conferir o longa em casa. Desde o último dia 2 de julho, a produção está disponível com exclusividade no Filmelier+.
Livremente inspirado no caso envolvendo a herdeira de um império mundial de cosméticos, o filme dirigido e roteirizado por Thierry Klifa transforma um dos escândalos mais rumorosos da elite francesa em um drama elegante, sustentado pela interpretação precisa de Huppert.
Na trama, Marianne Farrère (Isabelle Huppert), uma das mulheres mais ricas do mundo, desenvolve uma relação de amizade com o fotógrafo Pierre-Alain Fantin (Laurent Lafitte). Quando a proximidade entre os dois passa a envolver doações milionárias, a filha da empresária decide levar o caso à Justiça, acusando o rapaz de abuso de pessoa vulnerável.

Foto: Plateau Manuel Moutier
Sem apostar no suspense tradicional, Klifa conduz a história com ritmo contido e um olhar que privilegia as ambiguidades de seus personagens. O resultado é um filme que provoca mais pela sutileza do que pelo impacto imediato, explorando temas como poder, solidão, manipulação, envelhecimento e os limites entre afeto, interesse e dependência.
Grande destaque da produção, Isabelle Huppert entrega mais uma atuação de rara sofisticação. A atriz, vencedora do Globo de Ouro e indicada ao Oscar por “Elle” (2017), constrói uma protagonista ao mesmo tempo poderosa e vulnerável, evitando julgamentos fáceis e conduzindo o espectador por uma narrativa em que as aparências nunca são suficientes para explicar os acontecimentos. Laurent Lafitte também se destaca ao interpretar um personagem cuja verdadeira motivação permanece em constante dúvida.
Apesar do roteiro pecar um pouco ao não aprofundar mais as implicações políticas e familiares do caso que inspira a história, há consenso de que o maior trunfo do longa está nas atuações e na elegância com que aborda um episódio real sem transformá-lo em um simples drama de tribunal.
Apresentado mundialmente no Festival de Cannes de 2025, “A Mulher Mais Rica do Mundo” tornou-se um dos filmes franceses de maior repercussão da temporada. No Brasil, integrou a Mostra Panorama Mundial do Festival do Rio e o Festival de Cinema Francês, passando por Salvador em sessões lotadas que marcaram a visita de Isabelle Huppert à capital baiana. A produção ainda recebeu seis indicações ao Prêmio César, o principal do cinema francês, rendendo a Laurent Lafitte o troféu de Melhor Ator.
Para quem aprecia o cinema francês contemporâneo, “A Mulher Mais Rica do Mundo” confirma que não é preciso recorrer a grandes reviravoltas para prender a atenção. Bastam um roteiro inteligente, personagens complexos e uma Isabelle Huppert em pleno domínio de sua arte.