Seis anos depois das declarações que resultaram em uma condenação judicial, Rodrigo Branco se pronunciou publicamente sobre o caso envolvendo Thelma Assis. Em publicação divulgada na segunda-feira (22), o empresário afirmou ter refletido sobre o episódio, pediu desculpas às pessoas atingidas e disse ter cumprido a determinação de indenização estabelecida pela Justiça.
Conhecido por atuar com recepção e assessoria de celebridades nos Estados Unidos, especialmente em viagens para Orlando e parques da Disney, Rodrigo afirmou que o caso marcou profundamente sua trajetória.
“Há seis anos, cometi o maior erro da minha vida. Foram seis anos de aprendizado e reflexão”, declarou.
Na mesma mensagem, ele citou nominalmente Thelma Assis, a jornalista Maju Coutinho e Jude Paulla ao falar sobre as consequências das declarações feitas em 2020.
“Quero que esse episódio sirva para fortalecer a luta contra o racismo. Vamos assumir os nossos erros, assim como eu assumo o compromisso de continuar aprendendo todos os dias. Quero pedir desculpas à Thelminha, à Maju Coutinho, à Jude Paulla e a todos os que foram atingidos por esse vídeo. Eu não posso mudar o que aconteceu, mas posso escolher ser diferente.”
Segundo Rodrigo, o valor pago em indenização foi de R$ 76 mil.
Publicação recebeu apoio de artistas
Após a divulgação do pedido de desculpas, diversas personalidades deixaram mensagens de apoio nos comentários.
Entre elas estavam Deborah Secco, Xuxa, Lívia Andrade, Simone Mendes, Adriane Galisteu, Gominho, Gkay, Luciana Gimenez, Fabiana Karla, Astrid Fontenelle e Junno Andrade.
Deborah Secco, amiga do empresário, escreveu: “Pessoas não são descartáveis… A gente erra, aprende, se responsabiliza pelos nossos erros e faz diferente. Te amo e amo acompanhar sua evolução.”
Xuxa também comentou a publicação. “Ro, achei de muita coragem e valia o que vc fez … errei muito e estamos aqui pra aprender e tentar errar menos .. é que essa pauta dói muitoooo e nós, brancos, NUNCA vamos entender essa dor. Espero, de coração, que vc, eu e o planeta mudemos. NÃO DÁ MAIS pra errar nesse assunto. Bjs no seu coração.”
Declaração contrasta com informações do processo
No vídeo publicado, Rodrigo afirmou que permaneceu no mesmo endereço durante os últimos anos e que não tentou evitar responsabilização judicial.
“Todo mundo que me segue sabe onde eu trabalho […] Nunca desapareci, nunca tentei fugir das consequências”, disse.
A afirmação, porém, difere de informações apresentadas durante a tramitação da ação judicial.
Segundo Thelma Assis, o empresário não foi localizado pela Justiça brasileira ao longo do processo. De acordo com o relato da médica, ele acabou sendo citado por edital e não apresentou defesa formal durante o andamento do caso.
Ao comentar a decisão favorável obtida na Justiça, Thelma relembrou as dificuldades enfrentadas durante a ação.
“Eu precisava que a Justiça reconhecesse o fato, e ela foi feita. Foram seis anos lutando praticamente sozinha, somente com o apoio da minha família e dos meus advogados, contra uma injúria racial covarde, já que eu estava confinada na época do ocorrido e não pude me defender. Foram diversas tentativas frustradas de citação no processo, acesso ao qual aparentemente só eu não tinha.”
A publicação da ex-participante do BBB recebeu manifestações de apoio de nomes como Bruno Gagliasso, Giovanna Ewbank, Manu Gavassi, Maju Coutinho, Alessandra Negrini, Leticia Sabatella, Juliana Alves, Jean Wyllys, Samara Felippo e Astrid Fontenelle.
Caso teve origem em live durante o BBB 20
As declarações que motivaram a ação judicial foram feitas em 30 de março de 2020, quando Thelma ainda participava do Big Brother Brasil.
Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Rodrigo Branco afirmou que a médica recebia apoio do público “porque ela é negra coitada”.
Na mesma conversa, ele também fez comentários sobre a jornalista Maju Coutinho.
“É a mesma coisa que eu falo da Maju Coutinho. A Maju Coutinho é péssima, é horrível. Ela fala tudo errado. Ela só está lá [no ‘Fantástico’] por causa da cor.”
A Justiça condenou Rodrigo Branco ao pagamento de indenização por danos morais.
Segundo Thelma, os recursos obtidos com a condenação serão destinados a uma instituição que atua no combate ao racismo.
“Se o condenado honrar com o pagamento, além de arcar com os custos do processo, a verba será destinada a uma instituição de combate ao racismo. Dessa forma, darei um desfecho condizente com o que realmente me fez chegar até aqui como pessoa e como profissional: a educação, o respeito e a esperança em uma sociedade verdadeiramente antirracista”, afirmou.