A Prefeitura de Salvador decretou situação de emergência ambiental na região de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, após a identificação de contaminação por substâncias químicas na faixa litorânea da localidade. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 41.834, publicado na segunda-feira (8), e terá validade inicial de 90 dias.
Segundo o documento, o problema foi provocado pelo derramamento de produtos químicos em ambientes lacustres, fluviais, marinhos e aquíferos, caracterizando um desastre ambiental. A área afetada foi delimitada pela Defesa Civil de Salvador (Codesal).
Relatórios técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) apontaram níveis elevados de metais pesados, como ferro, cobre e zinco, em organismos marinhos coletados na região. As maiores concentrações foram encontradas em moluscos bivalves, como ostras e mexilhões, superando os índices observados em crustáceos.
O decreto associa a contaminação a atividades desenvolvidas pelas empresas Gerdau e Intermarítima, com impactos em toda a faixa litorânea de São Tomé de Paripe. A decisão considera os danos ambientais e sociais causados à população local, incluindo prejuízos à atividade pesqueira e potenciais riscos à saúde. O Ministério Público já havia recomendado a adoção de medidas emergenciais para reduzir os impactos.

Com o reconhecimento da situação de emergência, a prefeitura está autorizada a mobilizar órgãos municipais para ações de resposta, assistência às pessoas afetadas e recuperação das áreas atingidas. A medida também possibilita o pedido de reconhecimento federal da emergência, abrindo caminho para a solicitação de recursos da União destinados ao apoio humanitário e às obras de recuperação ambiental.
A administração municipal informou que continuará monitorando a situação e que novas medidas poderão ser adotadas conforme a evolução do cenário.
Especialistas alertam que as substâncias encontradas representam riscos à saúde da população. Análises da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) indicam que os produtos químicos podem provocar problemas dermatológicos e gastrointestinais. Em nota divulgada pelo g1, a pasta informou que equipes da Vigilância em Saúde atuam na região, monitorando casos suspeitos de intoxicação relacionados à exposição aos contaminantes.
A secretaria também informou que profissionais especializados realizam ações de orientação junto a moradores e trabalhadores sobre os riscos de contaminação. Enquanto as análises técnicas seguem em andamento, a recomendação é evitar o consumo de peixes e mariscos capturados na área, não entrar no mar nem realizar atividades de pesca na região investigada e procurar atendimento médico imediato em caso de manchas na pele, coceira, náuseas ou dificuldades respiratórias após contato com a área contaminada.