Ministério da Saúde suspende vacina da dengue após registro de mortes e reações graves

Ministério da Saúde suspende vacina da dengue após registro de mortes e reações graves

Redação Alô Alô Bahia

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Instituto Butantan

Publicado em 09/06/2026 às 08:07 / Leia em 3 minutos

O Ministério da Saúde anunciou, na última segunda-feira (8), a suspensão temporária da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A decisão acontece após o registro de 42 casos de reações severas associadas à aplicação do imunizante nacional, incluindo dois óbitos.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, confirmou que os estados e os municípios receberão comunicados oficiais para interromper o uso de forma imediata. “Reforçaremos nessa reunião a nota técnica para descontinuar de forma temporária a atual estratégia da vacina da dengue do Butantan”, afirmou, em comunicado.

O governo exige que as doses continuem armazenadas nas redes de refrigeração das cidades durante o período de paralisação.

O órgão federal também determinou o rastreamento ativo de possíveis novos efeitos adversos. As cidades vão receber orientações para analisar os registros locais e notificar os casos suspeitos.

A vigilância nos hospitais deve monitorar quadros de dengue em pessoas com vacinação recente, além de sinais de alarme e mortes, dividindo a observação por lote ou por território.

A investigação dos óbitos segue em andamento, já que ainda não existe comprovação exata de ligação entre o imunizante e as perdas fatais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) notificou o laboratório responsável e deve formar um comitê de especialistas.

A médica e diretora do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia, Rosana Richtmann, explicou a estratégia de análise. “Eles vão analisar todas as pessoas que tiveram esses sinais, mesmo os que não foram graves, para ver se tem alguma característica em comum”, disse.

As pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias precisam redobrar a atenção e buscar uma unidade de saúde local caso apresentem reações. O ministério alerta para sintomas como febre, dores abdominais intensas e contínuas, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.

De acordo com o g1, a equipe de farmacovigilância registrou 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas parecidos com os da doença entre o mês de janeiro e o dia 30 de maio de 2026. O número total representa 0,7% do público vacinado no país.

Os 42 episódios que apresentaram sinais de alarme representam 0,008% dos pacientes imunizados e são classificados como muito raros. Os relatórios apontam três registros graves. Uma mulher de 39 anos teve febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacina, evoluiu para um quadro grave com choque, precisou de internação em UTI, mas conseguiu se recuperar.

O primeiro óbito envolve uma mulher de 48 anos, que apresentou comprometimento neurológico e meningoencefalite 19 dias após a aplicação. A segunda morte confirmada atinge um homem de 58 anos, que sofreu choque refratário cinco dias depois de receber a dose.

O Ministério da Saúde informou que a medida restritiva não afeta a vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda e distribuída no Sistema Único de Saúde de forma gratuita para a faixa etária de 10 a 14 anos.

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