Investigadores que atuam no Caso Master avaliam que a segunda proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro não trouxe fatos inéditos às apurações. A percepção é de que o material entregue à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) detalha episódios já conhecidos pelas autoridades, embora com mais contexto, informações e datas.
Uma nova reunião entre a defesa de Vorcaro e os órgãos de investigação deve ocorrer nesta semana. Antes disso, os investigadores seguem analisando o conteúdo para decidir se mantêm ou encerram as negociações para um acordo de colaboração premiada.
A primeira proposta, apresentada em maio, já havia sido rejeitada por policiais e procuradores. Na ocasião, a PF chegou a anunciar o encerramento das tratativas. Dias depois, porém, as negociações foram reabertas diante da possibilidade de que o ex-banqueiro apresentasse elementos inéditos.
Segundo interlocutores, a nova versão da colaboração teria adotado um tom mais defensivo. As autoridades entendem que Vorcaro buscou justificar pagamentos e sua proximidade com agentes políticos, sem admitir crimes ou apresentar provas novas, como normalmente se espera em acordos de delação.
As investigações avançam paralelamente com a análise de celulares apreendidos ao longo das oito fases da Operação Compliance Zero, especialmente em relação aos vínculos de Vorcaro com políticos e à atuação de operadores financeiros no Brasil e no exterior.
As linhas gerais da segunda proposta foram apresentadas na última segunda-feira. Um encontro posterior resultou em acréscimos ao material. Uma terceira audiência, prevista para a semana passada, foi adiada a pedido dos investigadores, que solicitaram mais tempo para examinar os documentos antes de retomar as conversas.
O conteúdo da primeira proposta permanece sob sigilo judicial. Fontes ouvidas pelo jornal O Globo afirmam que o documento omitia fatos já conhecidos pela PF, como a suposta mesada atribuída ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que nega irregularidades, além de conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
As negociações ocorrem sob um regime excepcional de acesso dos advogados ao ex-banqueiro, autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero. Desde 25 de maio, a defesa tem se reunido diariamente com Vorcaro, das 9h às 17h, para discutir os termos da possível colaboração. A partir desta segunda-feira, no entanto, volta a valer a regra padrão de visitas, limitada a 30 minutos por dia.