Ao subir as escadarias da Igreja da Ordem Terceira dos Irmãos Carmelitas, na Ladeira do Carmo, um aroma de café recém-passado conduz moradores, turistas e fiéis a uma experiência pouco comum no Centro Histórico de Salvador. Em um espaço que permaneceu fechado por oito anos, nasceu o Café e Câmera (@cafeecamera), empreendimento que transformou um canto esquecido de um dos conjuntos arquitetônicos mais emblemáticos da cidade em um ponto de encontro para amantes de café, arte, fotografia e memória.

Como um pequeno café transformou um espaço esquecido em atração cultural no Centro Histórico de Salvador
Inaugurado em 2023 pelo fotógrafo, artista e marceneiro Adriano Viana, o espaço reúne cafeteria, galeria e uma coleção de antiguidades que ajuda a criar uma atmosfera acolhedora, frequentemente comparada pelos visitantes à casa dos avós. Entre câmeras fotográficas, discos de vinil, rádios antigos, máquinas de escrever e fotografias autorais, o local oferece uma experiência que vai além da gastronomia.
A ideia começou a tomar forma em 2017, quando Adriano morava em Adelaide, na Austrália, onde fez um curso de barista. O plano inicial era abrir uma cafeteria. Com o tempo, o projeto ganhou novos contornos e passou a incorporar outras paixões do empreendedor, como a fotografia, o colecionismo e a arte.

Como um pequeno café transformou um espaço esquecido em atração cultural no Centro Histórico de Salvador
Ao encontrar o espaço ao lado da igreja, que estava sem uso havia quase uma década, decidiu reunir tudo em um único ambiente. O investimento inicial foi de cerca de R$ 20 mil, valor utilizado para a compra da máquina de café, mobiliário e equipamentos. Hoje, somente o acervo de câmeras soma cerca de 400 peças, incluindo exemplares do século XIX.
O crescimento do Café e Câmera acompanha uma transformação mais ampla vivida pelo Centro Histórico de Salvador. Segundo dados da Receita Federal, quase metade das empresas atualmente instaladas na região iniciou suas atividades entre 2021 e 2026. Cafeterias autorais, espaços culturais e empreendimentos ligados à economia criativa têm contribuído para atrair novos públicos e ampliar a permanência de turistas e moradores no local.
O reconhecimento já ultrapassou as fronteiras do país. Em 2025, o Café e Câmera foi citado pelo jornal americano The New York Times, que definiu o espaço como “um ótimo lugar para um café e uma boa conversa”.
Mais do que um negócio, o empreendimento se tornou um exemplo de como iniciativas independentes podem contribuir para a revitalização urbana, preservando a memória, estimulando a economia criativa e fortalecendo a ocupação de espaços históricos da capital baiana.
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