Waldirene Nogueira morreu nesta terça-feira (19), aos 80 anos, em Ubatuba, no litoral norte paulista. Considerada a primeira mulher trans do Brasil a realizar uma cirurgia de redesignação sexual, ela enfrentava problemas de saúde e vivia sob cuidados da família.
Natural de Lins, Waldirene morreu em decorrência de insuficiência respiratória aguda, segundo familiares. O velório acontecerá nesta quarta-feira (20), em Lins, cidade onde também será realizado o sepultamento.
Nascida em 1945, ela foi registrada como Waldir Nogueira e iniciou acompanhamento médico no fim da década de 1960 no Hospital das Clínicas da USP. Após avaliações médicas e psicológicas, passou pela cirurgia de redesignação sexual em dezembro de 1971, no Hospital Oswaldo Cruz, em procedimento conduzido pelo cirurgião plástico Roberto Farina.
A operação se tornou um marco histórico no país, mas também desencadeou uma longa batalha judicial e social. Roberto Farina chegou a ser condenado por lesão corporal gravíssima em razão do procedimento, em um período em que a transexualidade ainda era tratada de forma criminalizada e patologizada.
Ao longo da vida, Waldirene também enfrentou dificuldades para retificar seus documentos civis. O reconhecimento oficial do nome só ocorreu em 2010, quando ela tinha 65 anos.
Formada em contabilidade, trabalhou como manicure e viveu de forma discreta. Sua trajetória passou a ser reconhecida como símbolo pioneiro da luta por direitos e dignidade da população trans no Brasil.