Publicitárias de Salvador transformam R$ 1 mil em agência milionária e expandem para São Paulo

Publicitárias de Salvador transformam R$ 1 mil em agência milionária e expandem para São Paulo

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 04/05/2026 às 16:21 / Leia em 4 minutos

Duas publicitárias de Salvador transformaram um investimento inicial de R$ 1 mil em uma agência com faturamento milionário e presença nacional. Fundada na capital baiana, a Asminas vive uma nova fase com a expansão para São Paulo, onde abriu uma unidade na Vila Mariana, na Zona Sul da cidade. Apenas no primeiro trimestre de 2026, a empresa alcançou receita de R$ 1 milhão, consolidando o crescimento construído ao longo de seis anos.

À frente do negócio estão Dayane Oliveira, de 32 anos, e Letícia Sotero, de 31, que decidiram empreender após deixarem o mercado corporativo. O movimento mais recente inclui a criação da Odara House, espaço pensado como produtora de conteúdo digital para integrar demandas entre Nordeste e Sudeste e aproximar a criatividade baiana dos grandes anunciantes.

Segundo Dayane, que lidera a operação em São Paulo, a expansão “permite o contato direto com os centros de decisão, destacando a importância de criar conexão com diversos territórios dos diversos ‘Brasis'”. A estratégia mantém a Bahia como base criativa, enquanto a nova unidade absorve as oportunidades do eixo Sul-Sudeste. “É um grande desafio, porque a gente sabe também que o nordestino chegar no sudeste não é tão fácil, não é tão confortável, mas como a gente fez já esse preparo de seis anos, trabalhando com esses atores, facilitou para que fossemos bem recebidas”, afirma Oliveira, em entrevista à Pequenas Empresas, Grandes Negócios.

A chegada à capital paulista já rendeu novos contratos. A Asminas assina a estratégia criativa nacional da marca Sofy Absorventes Íntimos, de origem japonesa, e acumula no portfólio trabalhos com empresas como Unilever, Amazon, Leroy Merlin e Bayer. A agência também gerencia a carreira do ator e humorista João Pimenta, que integrou o Porta dos Fundos até fevereiro de 2024 e teve crescimento expressivo nas redes sociais durante o período.

A história da empresa começou a partir de um incômodo compartilhado pelas sócias, que se conheceram ainda no ambiente corporativo. “A gente se vê nos nossos empregos não tão reconhecidas e muito menos representadas”, relembra Letícia Sotero. A decisão de empreender veio da percepção de que eram “boas demais” para não ocuparem espaços de liderança. Em 2020, em meio à pandemia, investiram R$ 1 mil (R$ 500 cada) para iniciar o negócio.

“Aqueles R$ 1 mil ‘startaram’ o nosso negócio. Hoje, faturamos um número bacana, mas não era a realidade nem que a gente imaginava quando iniciamos o projeto”, diz Sotero. Segundo ela, a validação do modelo aconteceu rapidamente. Em seis meses, a agência já atendia clientes como a multinacional Unilever.

A Asminas se posiciona como uma agência negra, feminina e nordestina. Atualmente, conta com oito funcionários fixos entre Salvador e São Paulo, podendo chegar a 20 conforme a demanda. A equipe é 100% negra e majoritariamente feminina, incluindo mães solo e mulheres trans. “Estamos hackeando o sistema. É entender como esses operadores que não trazem esse propósito racial, principalmente de gênero, trabalham, como a gente consegue utilizar o caos a nosso favor”, afirma Sotero.

Além da atuação em marketing e influência, as fundadoras mantêm um ecossistema de projetos autorais, como o “Escutas Asminas”, voltado ao diálogo entre mulheres, a “Maratona de Conteúdo” e o “Portal Quarta Pink”. O reconhecimento técnico veio em 2024, com o Prêmio Jatobá de Inovação em PR pelo case “Ppk sem Tabu”, desenvolvido para a Bayer. “A premiação serviu como um selo de qualidade que reforçou a capacidade da agência de assinar projetos de alta complexidade e impacto cultural”, afirma Oliveira.

O plano agora é consolidar a atuação nacional sem abrir mão das raízes. “Nosso grande sonho é ser um grande conglomerado de comunicação, como a gente vê grandes grupos hoje, principalmente norte-americanos, geridos por pessoas negras”, projeta. As sócias também pretendem avançar em áreas como audiovisual e educação, com a criação de uma escola de comunicação voltada para criadores de conteúdo.

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