Especialistas se reúnem em Salvador para definir futuro dos jumentos no Brasil; entenda

Especialistas se reúnem em Salvador para definir futuro dos jumentos no Brasil; entenda

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação/The Donkey Sanctuary

Publicado em 28/04/2026 às 10:14 / Leia em 3 minutos

O que será feito com os jumentos no Brasil após a proibição do abate é  a pergunta que ganhou força nas últimas semanas e que estará no centro de um debate internacional marcado para Salvador. Entre os dias 6 e 8 de maio, a capital baiana recebe o IV Workshop Internacional “Jumentos do Brasil: Futuro sustentável”, reunindo especialistas para discutir caminhos econômicos, ambientais e biotecnológicos para a espécie.

A discussão ganha relevância após a decisão da Justiça Federal que proibiu o abate de jumentos no país. Com isso, pesquisadores, autoridades, organizações e produtores passam a buscar alternativas viáveis para o uso sustentável desses animais. O encontro acontece na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e deve reunir representantes de universidades como UFBA, UFAL, UFPR e USP, além de entidades como a The Donkey Sanctuary e o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal.

Nos dois primeiros dias, a programação inclui palestras e plenárias sobre temas como saúde única, conservação, economia e comércio global. Entre os destaques estão os debates “Economia, Saúde Única e Ecossistemas: o verdadeiro custo do abate de jumentos”, “Agricultura Celular: inovação biotecnológica ética, sustentável e segura” e “Jumentos no comércio global: dinâmicas, desafios e respostas internacionais”.

Um dos pontos centrais será a apresentação de soluções biotecnológicas que podem substituir o uso de peles na produção do ejiao, substância utilizada na medicina tradicional chinesa. Pesquisas brasileiras já avançam na criação de colágeno por fermentação de precisão, alternativa considerada mais ética e sustentável. Também entram na pauta os impactos sanitários e ambientais do comércio internacional de peles. Representantes internacionais da The Donkey Sanctuary, como Emily Reeves e Janneke Merkx, apresentarão estudos inéditos sobre o mercado chinês e suas conexões com práticas ilegais, como tráfico de animais.

No terceiro dia, os participantes visitam a Fazenda Manoino, no interior da Bahia, onde vivem jumentos resgatados de maus-tratos em operação realizada em 2019, em Canudos. O evento será encerrado com a elaboração de um documento com recomendações para políticas públicas e estratégias de longo prazo.

“A discussão agora precisa avançar para soluções concretas. Por muito tempo, a pergunta foi o que fazer com os jumentos sem o abate. Hoje, a ciência já apresenta caminhos sustentáveis, éticos e economicamente viáveis”, afirma Patricia Tatemoto, doutora em Ciências pela USP e coordenadora de campanhas da The Donkey Sanctuary.

A urgência do tema é reforçada por dados recentes: a população de jumentos no Brasil caiu 94% entre 1996 e 2024, segundo levantamentos com base em FAO, IBGE e Agrostat. Embora a decisão judicial tenha interrompido o abate, especialistas defendem que o tema ainda precisa avançar no Congresso Nacional para garantir uma proibição definitiva.

Atualmente, as peles desses animais são destinadas principalmente à China, onde alimentam a produção de ejiao, um produto que promete benefícios como vigor sexual e rejuvenescimento, mas sem comprovação científica. A demanda global segue em alta, com cerca de 5,9 milhões de peles por ano, com projeção de chegar a pelo menos 6,8 milhões até 2027, segundo a The Donkey Sanctuary.

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