Robôs humanoides desenvolvidos na China superaram corredores humanos em uma meia-maratona realizada em Pequim neste domingo (19), em um feito que evidencia o avanço acelerado da robótica e da navegação autônoma. O desempenho marca uma virada em relação à edição inaugural da prova, no ano passado, quando a maioria das máquinas não conseguiu concluir o percurso.
Em 2025, o robô vencedor levou 2h40 para completar a corrida, mais que o dobro do tempo do campeão humano. Desta vez, porém, o cenário foi completamente diferente. Com mais de cem equipes inscritas, contra cerca de 20 anteriormente, diversos robôs registraram tempos superiores aos de atletas profissionais, superando os vencedores humanos por mais de 10 minutos.
A prova reuniu cerca de 12 mil corredores humanos, enquanto os robôs competiram em pistas paralelas ao longo dos 21 km para evitar colisões. Quase metade das máquinas conseguiu percorrer o trajeto de forma totalmente autônoma, sem necessidade de controle remoto, um salto significativo em relação ao ano anterior.
O grande destaque foi o robô desenvolvido pela Honor, que cruzou a linha de chegada em 50min26s, tempo 6min54s mais rápido que o recorde mundial de meia-maratona, estabelecido recentemente pelo ugandense Jacob Kiplimo em Lisboa. A empresa, que surgiu como uma divisão da Huawei, ainda ocupou os três lugares do pódio com robôs dotados de navegação autônoma.
Segundo Du Xiaodi, engenheiro da equipe vencedora, o robô foi desenvolvido ao longo de um ano e conta com pernas entre 90 cm e 95 cm, projetadas para imitar corredores de elite, além de um sistema de resfriamento líquido inspirado em smartphones. “Correr mais rápido pode não parecer significativo à primeira vista, mas permite a transferência de tecnologia, por exemplo, para confiabilidade estrutural e resfriamento, e eventualmente aplicações industriais”, disse Du.
Para o público, a diversidade de formatos e estilos de locomoção dos humanoides foi um indicativo claro do avanço tecnológico do país. Ainda assim, especialistas ponderam que o desempenho em provas esportivas não se traduz diretamente em uso industrial amplo, já que tarefas em fábricas exigem destreza manual, percepção do ambiente e capacidade de lidar com situações complexas.
Embora o setor ainda enfrente desafios, especialmente no desenvolvimento de softwares de inteligência artificial capazes de equiparar a eficiência humana, o governo chinês tem investido pesado para transformar o país em líder global na área, com políticas que incluem subsídios e projetos de infraestrutura voltados à inovação.