Cientista brasileira integra lista de 100 mais influentes do mundo da revista Time

Cientista brasileira integra lista de 100 mais influentes do mundo da revista Time

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Divulgação / Time

Publicado em 15/04/2026 às 11:32 / Leia em 3 minutos

A revista Time divulgou nesta terça-feira a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, incluindo a pesquisadora brasileira Mariangela Hungria entre os nomes selecionados. O ator baiano Wagner Moura também está na lista.

Mariangela Hungria da Cunha atua há décadas na Embrapa e é uma das principais referências em insumos biológicos aplicados à agricultura. Em 2025, ela foi reconhecida com o World Food Prize, considerado o principal prêmio global do setor e frequentemente comparado ao “Nobel” da alimentação.

Radicada em Londrina, no interior do Paraná, há mais de 30 anos, a pesquisadora lidera estudos voltados à fixação biológica do nitrogênio na Embrapa Soja. A tecnologia desenvolvida permite substituir fertilizantes químicos por alternativas naturais, com impacto direto na redução de custos e de danos ambientais. Segundo a instituição, a prática gera uma economia anual de até US$ 25 bilhões ao Brasil.

O trabalho da cientista envolve a seleção e o aprimoramento de microrganismos, como bactérias e fungos, que atuam como fertilizantes naturais ao serem aplicados no solo ou nas sementes.

Trajetória

Em entrevista ao Estadão, Hungria relembrou os desafios enfrentados ao longo da carreira. “Eu aqui, no interior do Paraná, sempre lutando, num país onde o financiamento para pesquisa é muito irregular, e tendo dedicado uma carreira aos insumos biológicos, numa época que era só de químicos”, afirmou.

A escolha pela microbiologia ocorreu ainda na infância. “Eu queria trabalhar com agricultura ou com meio ambiente, produzir alimentos, porque eu lembro que eu ficava muito triste quando eu via uma pessoa na rua passando fome”, disse.

Formada em Engenharia Agronômica pela USP, ela concluiu mestrado e doutorado com foco na fixação biológica do nitrogênio. Sua trajetória na Embrapa começou em 1982.

Atualmente, o Brasil lidera o uso de inoculantes biológicos na produção de soja, com cerca de 85% da cultura adotando essa tecnologia. Segundo a pesquisadora, no início de sua carreira havia resistência à aplicação desses insumos em larga escala.

Impacto na agricultura e no meio ambiente

Além da redução de custos, a substituição de fertilizantes químicos por biológicos contribui para a diminuição da poluição e das emissões de gases de efeito estufa. “Alguns insumos biológicos conseguem substituir totalmente ou parcialmente esses fertilizantes químicos”, explicou.

Ela também destacou o impacto ambiental positivo: “Só com a soja, na última safra, foram 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente que a gente deixou de emitir porque usou os biológicos e não os químicos”.

A própria revista Time ressaltou que as inovações da pesquisadora, adotadas em diferentes países, ajudam agricultores a economizar bilhões de dólares por ano e a reduzir significativamente as emissões de carbono.

Segurança alimentar

Integrante da Academia Brasileira de Ciências, Hungria coordena um grupo de trabalho voltado à segurança alimentar e nutricional. Para ela, ampliar a produção de alimentos é apenas parte da solução para combater a fome, sendo necessário um esforço integrado entre diferentes áreas.

Ao falar sobre o futuro, a cientista destacou o papel feminino no campo. “As mulheres que, em grande parte, fazem agricultura, passam as ervas medicinais de avó pra mãe pra filha. Elas cuidam das hortas comunitárias”, afirmou.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia