Exigência por delegado branco e mais: tudo sobre caso de turista gaúcha presa por injúria racial em Salvador

Exigência por delegado branco e mais: tudo sobre caso de turista gaúcha presa por injúria racial em Salvador

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Reprodução

Publicado em 23/01/2026 às 13:59 / Leia em 3 minutos

A mulher acusada de injúria racial contra uma comerciante em Salvador será apresentada em audiência de custódia nesta sexta-feira (23). Ela foi presa em flagrante na quarta-feira (21), durante um evento gratuito realizado no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana.

Identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, natural do Rio Grande do Sul, a turista é suspeita de cuspir em uma comerciante e de proferir ofensas racistas enquanto afirmava ser “branca”. Após a prisão, ela foi encaminhada à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), onde permanece custodiada à disposição da Justiça.

De acordo com a polícia, a conduta discriminatória teria continuado dentro da unidade policial. Segundo o registro, Gisele solicitou que fosse atendida exclusivamente por um delegado de pele branca.

O caso ocorreu na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, onde a vítima trabalhava no momento da agressão. Em entrevista à TV Bahia, a comerciante, identificada apenas como Hanna, relatou que foi chamada de “lixo” e alvo de ofensas diretas. “Eu sou branca”, teria dito a suspeita, segundo o relato da vítima.

“Eu fiz uma venda e retirei o balde um cliente. No momento que eu passei, ela falou: ‘Vai mais um lixo’. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma ‘escarrada’ em mim. Ela correu e eu perdi ela de vista. Ela teve problemas com outras pessoas e o segurança estava tentando tirar ela do evento”, contou Hanna.

Ainda segundo a polícia, ao chegar à delegacia, a suspeita manteve o comportamento discriminatório, reiterando exigências relacionadas à cor da pele do delegado responsável pelo atendimento.

Conforme apuração da TV Bahia, Gisele estava em Salvador a turismo. Não há informações sobre há quanto tempo ela estava na cidade. O contato entre ela e a comerciante ocorreu exclusivamente durante o evento, sem qualquer relação anterior entre as duas.

A audiência de custódia irá avaliar a legalidade da prisão e decidir se a suspeita continuará detida. A vítima afirmou que, inicialmente, a condução à delegacia não teria sido priorizada pela segurança do evento. Ela também criticou a atuação policial no momento da ocorrência.

“(…) Mas eu disse que eu não iria porque, se fosse o contrário, eu estaria no porta-malas e ainda sairia algemada. Eles tiveram toda a paciência do mundo e ela saiu no tempo dela. Ela ficou se coçando e dizendo que aquele lugar não era para ela”, afirmou Hanna.

A ocorrência foi registrada pela Decrin, responsável pela prisão em flagrante e pela custódia da suspeita.

A injúria racial é equiparada ao crime de racismo, que é inafiançável e imprescritível. A pena prevista varia de dois a cinco anos de prisão.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia