Em último papel de destaque, Glória Menezes transformou personagem pacato em figura central: “O autor me colocou em quase todas as cenas”

Em último papel de destaque, Glória Menezes transformou personagem pacato em figura central: “O autor me colocou em quase todas as cenas”

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

João Bertonie

Reprodução / TV Globo

Publicado em 18/08/2026 às 18:57

Entre os papéis mais lembrados da longa carreira de Glória Menezes, morta nesta terça-feira (18) aos 91 anos, está a milionária Irene, de “A Favorita” (2008). Segundo relato da própria atriz ao Memória Globo, a personagem nasceu com um perfil discreto, mas ganhou peso crescente ao longo da trama por decisão do autor João Emmanuel Carneiro.

Na novela, Irene é uma mãe enlutada pela morte do filho, assassinado ainda no início da história. Ao longo dos capítulos, ela vive dividida entre o ódio pela nora, Donatela (Claudia Raia), e a suposta amizade com Flora (Patrícia Pillar), até descobrir que fora enganada: a vilã era, na verdade, responsável pela morte tanto do filho quanto do marido de Irene.

“O João Emmanuel me colocou em todos os capítulos, em tudo”, relembrou a atriz.

No depoimento, a veterana destacou justamente a cena em que Irene descobre a verdade: escondida dentro de um boxe de chuveiro, ouvindo a conversa que revelava os crimes de Flora, ela precisou expressar raiva, medo e choque sem dizer uma única palavra.

“Foi a cena mais difícil, porque não tinha diálogo. Foi muito legal para mim, como atriz, ter de segurar a emoção. Era raiva, medo, susto, todos os sentimentos juntos, tendo que mostrar na cara. Foi muito importante para mim fazer essa cena, porque não precisa falar, às vezes, para mostrar o sentimento. Gostei muito”, lembra.

A passagem por “A Favorita” reforçou a versatilidade que marcou a trajetória de Glória Menezes, capaz de transformar uma personagem secundária em um dos eixos emocionais de uma das novelas de maior audiência da década de 2000. Ao longo da trama, sua personagem persistia firme na desconfiança à figura da personagem da Cláudia Raia (que acabou sendo revelada como a grande mocinha da história), provocando sentimentos intensos junto ao público na época.

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