Em Cachoeira, Margareth Menezes oficializa título de Patrimônio Cultural do Brasil ao Terreiro Ilê Axé Icimimó

Em Cachoeira, Margareth Menezes oficializa título de Patrimônio Cultural do Brasil ao Terreiro Ilê Axé Icimimó

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Vinicius Xavier/Maurício Galvão

Publicado em 16/01/2026 às 20:06 / Leia em 2 minutos

A cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, foi palco de um momento histórico para a preservação da cultura afro-brasileira nesta sexta-feira (16). A ministra da Cultura, Margareth Menezes, participou da cerimônia de emplacamento que oficializa o Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê como Patrimônio Cultural do Brasil.

O ato, organizado em parceria entre o Ministério da Cultura (MinC), o Iphan e a comunidade religiosa, marca o reconhecimento federal de um espaço que há mais de um século funciona como símbolo de fé e resistência. Durante o evento, Margareth enfatizou que a proteção desses territórios não é favor, mas uma obrigação legal.

“A gente está cumprindo a nossa função como Estado. Nós estamos aqui cumprindo o que determina a Constituição sobre os direitos culturais do povo brasileiro”, afirmou a ministra.

Ela reforçou a necessidade de valorizar a memória da construção social do país: “É um legado que a gente precisa reconhecer, fortalecer e pedir respeito a isso, porque não é feito de um dia para o outro”.

Foto: Maurício Galvão

História centenária

Localizado em um platô na região da Terra Vermelha, o Ilê Axé Icimimó é uma Casa de Santo da Nação Nagô, regida pelo orixá Xangô. Fundado em 1916, o espaço ficou conhecido por décadas como o “terreiro de Mãe Judith”, em referência à matriarca que iniciou essa trajetória.

Ao longo de mais de 100 anos, o local atravessou gerações de líderes religiosos e se consolidou como um ícone de resistência à intolerância religiosa em Cachoeira, mantendo vivo um calendário de festas que movimenta a cidade nos meses de julho, agosto, setembro e dezembro.

O reconhecimento celebrado nesta sexta-feira consolida um processo de proteção que vem sendo construído há anos. O terreiro foi inscrito no Livro do Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico do Iphan em 2024, após aprovação unânime do Conselho Consultivo do órgão, que destacou o valor histórico, cultural e ambiental da casa.

Antes da chancela federal, o Ilê Axé Icimimó já havia sido reconhecido pelo estado. Em 2014, o terreiro foi tombado como Patrimônio Imaterial da Bahia, integrando o Livro do Registro Especial de Espaços de Práticas Culturais Coletivas.

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