Sensação do verão em Salvador, o cantor O Kannalha deu início ao esquenta pré-Carnaval com o “Ensaio do Maridão”, realizado nesta quinta-feira (15), na Praça das Artes – Neguinho do Samba, no Pelourinho. O evento reuniu grande público e contou com participações especiais de Daniela Mercury, Léo Santana e Edcity (Fantasmão). A próxima edição já tem data marcada: 29 de janeiro, no mesmo local.
No repertório, o artista apresentou sucessos que vêm marcando sua trajetória, como “Nego Doce”, “Fraquinha”, “Final de Semana na Favela”, “Calado Vence 777”, “Traficante de Desejos” e “O Baiano Tem o Molho”, música que ganhou destaque recentemente ao embalar a torcida por Wagner Moura na corrida pelo Oscar.
“O verão no Pelô tem dendê, tem suor e tem muito molho. Dia 15 e 29 de janeiro é todo mundo na Praça das Artes para sentir de perto o ‘Ensaio do Maridão’. Vem escrever essa história com a gente, porque 2026 está só começando”, afirmou o cantor.
Quem é O Kannalha
Nos palcos da capital baiana, O Kannalha chama atenção pela performance marcante: costuma se apresentar de peito nu, com uma guia roxa da orixá Nanã no pescoço e o corpo coberto por tatuagens. A dança da “batedeira”, um rebolado intenso que virou sua marca registrada, ajuda a explicar o apelido de “maridão”, como é chamado pelos fãs — as “maridonas”.
O artista se chama Danrlei Orrico, tem 28 anos e é natural de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Criado principalmente por mulheres — a mãe, a avó, a tia e a mãe de santo —, ele mantém forte ligação com suas raízes e com a religiosidade. O pai foi o responsável por incentivá-lo a aprender percussão ainda jovem. Antes da fama, Danrlei chegou a trabalhar fazendo entregas de comida ao lado da mãe.
“O Kannalha é um personagem. Hoje eu falo dele até em terceira pessoa”, contou o cantor em entrevistas. “Mas eu nunca perdi minha essência. De onde eu venho é onde eu permaneço”.
Além do sucesso musical, O Kannalha ganhou projeção ao se relacionar com Preta Gil, a quem acompanhou de perto durante o tratamento contra o câncer. “A gente viveu um amor e uma amizade verdadeira e linda. Preta foi uma das maiores mulheres negras desse país”, declarou o artista à época.
Confiante no momento vivido, ele projeta novos passos: “Hoje eu tenho a certeza de que nada é impossível. Nosso verão e nosso Carnaval é espalhar o ‘molho’ por todo o Brasil”.