Sofia Frank, neta do autor de novelas Manoel Carlos, prestou uma homenagem ao avô nas redes sociais após a morte do escritor. Aos 24 anos, ela compartilhou lembranças da convivência com o novelista e destacou a influência dele em sua formação pessoal e artística.
Filha de Maria Carolina, do segundo casamento de Manoel Carlos, Sofia falou sobre a dificuldade de expressar o luto e recordou frases marcantes ditas pelo avô ao longo da vida. “Eu ainda não sei o que dizer sobre a morte do vovô Maneco (ou vovô marreco, como eu o chamava quando eu era criança). Ele escreveu quem eu sou. Ele dizia: ‘Sofia, você é fotogênica, e isso resolve metade dos problemas da vida’. Dizia também que eu seria uma boa Ofélia, uma boa Anita”, escreveu, ao mencionar a personagem Anita, vivida por Mel Lisboa na minissérie “Presença de Anita”.
Morando atualmente em Nova York, nos Estados Unidos, Sofia relembrou a infância cercada pelo ambiente artístico criado por Manoel Carlos. Ela contou que a mãe atuava como colaboradora nas novelas do autor e que frequentava as reuniões de trabalho desde pequena. “Quando criança, eu queria ir a todas as reuniões das novelas com as colaboradoras. Meu avô me pedia para cantar Maysa, e com 8 anos eu ia lá e cantava ‘Meu Mundo Caiu’. Eu amava tudo naquele mundo e amava porque era o mundo dele”, relatou.
A jovem também compartilhou um episódio da adolescência em que foi repreendida pelo avô após publicar uma foto segurando um copo de vodca. “Ele me respondeu por e-mail. O assunto era: ‘Pense bem nisso’. No corpo do texto, escreveu: ‘Sofia, uma menina que se respeite não posa nem com um copo de leite’”, contou.
Na homenagem, Sofia descreveu ainda momentos cotidianos ao lado do escritor, como encontros em cafés e tardes em casa, enquanto ele trabalhava. “Que saudade de cada café na Argumento, de cada tarde ouvindo a rádio de música clássica da NET com ele na sala. Ele trabalhando no escritório, porta aberta, enquanto eu tirava uma soneca no sofá, ao som dele escrevendo. O Leblon sem ele parece vazio. É impossível imaginar um mundo pós-vovô Maneco, mesmo já vivendo nele”, escreveu.
Manoel Carlos morreu no último sábado, 10, aos 92 anos. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde realizava tratamento contra a Doença de Parkinson, que no último ano comprometeu suas funções motoras e cognitivas.