O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) dá início a uma nova etapa de reflexão e prática artística com o projeto “Cutucar o MAM – 45 anos de Oficinas Criativas”, que revisita, sob perspectivas contemporâneas, as oficinas desenvolvidas pela instituição ao longo de mais de quatro décadas. A proposta é atualizar metodologias, provocar diálogos e ampliar o acesso às experiências formativas que marcaram a trajetória do museu, combinando oficinas práticas e rodas de conversa gratuitas no Galpão de Oficinas do MAM, no Solar do Unhão.
A primeira ação do projeto foi a roda de conversa e a oficina de processos criativos com a artista visual Goya Lopes. Em janeiro, a programação ganha fôlego com uma agenda robusta que inclui uma roda de conversa e quatro oficinas, sendo duas voltadas para adultos e duas para crianças. As atividades acontecem entre 17 de janeiro e 1º de fevereiro. Após uma pausa para o Carnaval, o projeto retorna no dia 28 de fevereiro e segue até 16 de maio.
Entre os destaques está a Oficina de Cerâmica Fria, que acontece aos sábados, nos dias 17, 24 e 31 de janeiro, sempre das 14h às 17h. Com três encontros e 20 vagas disponíveis para todos os públicos, a atividade propõe a criação livre e espontânea de obras de arte a partir da linguagem da escultura e de referências afropindorâmicas. Ao longo do processo, os participantes passam pela apresentação de materiais e referências estéticas, pela investigação formal e conceitual das peças e pelas etapas de finalização e pintura. A oficina será ministrada pelo artista plástico autodidata Lumumba, cuja trajetória transita entre pintura, escultura cenográfica e arte pública, reunindo influências das culturas africana e indígena.
Outra atividade de longa duração é a Oficina de Desenho de Observação – Brinquedos Geométricos, conduzida por Olga Gómez. Serão 12 encontros gratuitos, sempre aos sábados, das 9h às 13h30. Os dois primeiros acontecem nos dias 17 e 24 de janeiro e introduzem os participantes às proporções geométricas por meio de análises de obras, origami, construções com compasso e experimentações com papel recortado. A formação segue entre 28 de fevereiro e 16 de maio, com exceção dos dias 4 de abril e 2 de maio, e inclui ainda o uso de brinquedos ópticos, como o caleidoscópio, para aprofundar noções de repetição, simetria e ritmo visual. O percurso será encerrado com uma mostra final dos trabalhos, de 19 a 30 de maio, no MAM. Argentina radicada na Bahia desde 1986, Olga mantém uma relação histórica com o museu e é reconhecida por sua atuação como artista plástica e educadora, à frente da Companhia A RODA.
Voltada para o público infantil e juvenil, a Oficina Caixa Mágica Fotográfica não exige inscrição prévia e acontece aos domingos, das 14h às 16h, em duas etapas. A primeira ocorre nos dias 18 e 25 de janeiro e 1º de fevereiro, e a segunda nos dias 1º, 8, 15, 22 e 29 de março. A atividade propõe uma vivência teórico-prática de introdução à fotografia a partir da construção e do uso da câmera escura, também conhecida como caixa mágica. Durante os encontros, os participantes exploram conceitos como luz, sombra, enquadramento e percepção visual, constroem seus próprios dispositivos com materiais simples e testam, na prática, os princípios ópticos aprendidos. Ao final, cada participante pode levar sua caixa mágica para casa. A oficina será conduzida pelo Coletivo Cutucar, grupo formado por jovens artistas do Subúrbio Ferroviário de Salvador, com atuação reconhecida em fotografia, poesia, audiovisual e ações comunitárias.
Já a Oficina de Arte em Papelão para Crianças acontece de terça a sexta-feira, nos dias 20, 21, 22, 23, 27, 28, 29 e 30 de janeiro, sempre das 14h às 16h, também sem necessidade de inscrição prévia. Voltada para crianças a partir de seis anos, a atividade utiliza o papelão como principal material para estimular a criatividade, as habilidades manuais e a reflexão sobre sustentabilidade, direito à moradia e preservação da biodiversidade. A ação será conduzida pelo Coletivo MUSAS, que desenvolve intervenções artísticas em quilombos, como o projeto Realeza Quilombola, dedicado à valorização cultural, ao protagonismo das matriarcas quilombolas e ao fortalecimento do turismo local.
A programação de janeiro inclui ainda a Roda de Conversa “Trajetórias Visuais de Ieda Oliveira”, marcada para o dia 24 de janeiro, das 10h às 13h, na Sala das Arcadas do MAM. O encontro propõe um bate-papo sobre o percurso poético e visual da artista baiana, a partir de seu lugar de fala como mulher nordestina, explorando processos criativos, referências, oralidade e saberes populares. Doutora, mestre e graduada em Artes Visuais pela UFBA, Ieda tem trajetória consolidada no Brasil e no exterior, com participações em bienais, residências artísticas e exposições nacionais e internacionais. A atividade é gratuita, não requer inscrição prévia e contará com intérprete de Libras, ampliando a acessibilidade ao público.
Realizado pela VIA Press Comunicação, em parceria com o próprio MAM, o projeto “Cutucar o MAM – 45 anos de Oficinas Criativas” foi contemplado pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), com recursos do Ministério da Cultura, Governo Federal. O MAM é administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), vinculado à SecultBA.