O operador de logística Paulo Araújo, de 38 anos, tornou-se o segundo paciente da Bahia a receber tratamento experimental com a enzima polilaminina, considerada por pesquisadores uma das abordagens promissoras para casos de lesão medular aguda. O procedimento foi realizado no Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) e é o primeiro conduzido em um hospital privado do estado dentro de protocolo de pesquisa autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Paulo sofreu uma perfuração por arma de fogo ao sair do trabalho durante uma tentativa de assalto, em dezembro de 2025. O projétil atingiu as costas e provocou uma lesão raquimedular completa na altura da vértebra T2, o que resultou na perda dos movimentos do peito para baixo.
Neste sábado (14), ele falou publicamente pela primeira vez sobre o tratamento. “Eu estou com uma expectativa muito grande. É um misto de emoções de poder ter uma oportunidade de voltar a andar e cuidar da minha família da melhor forma. A esperança que eles estão trazendo para mim é poder criar meu filho”, disse, emocionado.
Procedimento
O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Marco Aurélio Brás de Lima, do Rio de Janeiro, e pelo cirurgião de coluna Fabrício Guedes, do Hospital Mater Dei.
Segundo os médicos, a enzima foi aplicada diretamente na medula espinhal com o uso de agulhas especiais posicionadas na área da lesão. A aplicação ocorreu de forma fracionada, em diferentes pontos, para ampliar a distribuição da substância.
Após a intervenção, o paciente deverá passar por um processo de reabilitação intensiva com fisioterapia especializada, etapa considerada fundamental para estimular possíveis ganhos funcionais.

Paciente que perdeu movimentos recebe tratamento experimental com polilaminina em Salvador
Pesquisas
A polilaminina vem sendo estudada em pesquisas brasileiras voltadas à regeneração de tecidos nervosos. A substância atua degradando componentes da cicatriz que se forma após a lesão medular — uma barreira biológica que dificulta a regeneração dos neurônios — permitindo que fibras nervosas tenham maior possibilidade de reconexão.
Resultados preliminares de estudos clínicos e experimentais indicam que alguns pacientes submetidos à terapia apresentaram melhora parcial de sensibilidade e movimento, principalmente quando associada a protocolos intensivos de reabilitação.
Apesar dos avanços, especialistas ressaltam que ainda não é possível falar em cura para lesões medulares completas, mas iniciativas como essa apontam novos caminhos terapêuticos para pacientes com lesões traumáticas recentes.
Esperança
Para Paulo Araújo, participar do estudo representa uma nova oportunidade após o episódio de violência que mudou sua vida.
“Quando fui atingido, perdi os movimentos do peito para baixo e pensei que nunca mais teria esperança de recuperação. Conhecer esse tratamento e conseguir participar do estudo reacendeu minha fé e minha vontade de lutar”, afirmou ao Alô Alô Bahia.
Após a aplicação da enzima, o paciente seguirá em acompanhamento médico e passará por um programa específico de reabilitação. Os resultados serão monitorados nos próximos meses para avaliar possíveis respostas neurológicas ao tratamento.
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