Presidente do Paraguai renuncia ao cargo em meio à crise bancária e pedido de impeachment

Presidente do Paraguai renuncia ao cargo em meio à crise bancária e pedido de impeachment

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Reprodução / X

Publicado em 05/11/2026 às 14:30

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar ao cargo em meio à crise bancária e ao avanço de um processo de impeachment no Congresso do país. A crise começou após a intervenção no Banco Ueno, instituição da qual Peña foi acionista e que deixou milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o presidente afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país e na preservação das instituições democráticas. Ele também pediu desculpas aos paraguaios afetados pelo bloqueio das contas bancárias.

“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, declarou.

Peña afirmou ainda que a renúncia foi motivada pela necessidade de preservar a paz social e respeitar os mecanismos previstos na Constituição paraguaia.

A saída do presidente ainda depende de formalização e análise do Congresso. A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira a abertura de um processo de impeachment contra ele. O pedido foi apresentado por 35 parlamentares e recebeu apoio de integrantes da oposição e também da base governista.

Entenda a crise bancária no Paraguai

A crise teve início após o Banco Central do Paraguai determinar, em 3 de novembro, a suspensão das operações do Ueno Bank e iniciar um processo de resolução da instituição. A autoridade monetária apontou problemas de solvência, indicando que o banco não tinha capital suficiente para cumprir suas obrigações.

A medida provocou o bloqueio de contas de milhares de clientes, além de filas em agências e instabilidade em aplicativos bancários. O Ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes e era uma das principais instituições financeiras do país.

A situação também atingiu o Banco Central. Carlos Carvallo, que presidia a autoridade monetária desde 2023, anunciou sua renúncia em meio à repercussão do caso. Antes de assumir o cargo, ele havia comandado uma versão anterior do Ueno.

Por que Santiago Peña é alvo de impeachment?

O presidente paraguaio foi acionista da Ueno Holding, empresa relacionada ao grupo controlador do banco, até março de 2025. A relação motivou críticas da oposição, que acusa o governo de proximidade com a instituição e questiona a atuação dos órgãos de fiscalização diante dos problemas financeiros.

O Ministério Público paraguaio também solicitou uma investigação criminal sobre o banco e pediu a prisão de dois dirigentes da instituição. As apurações envolvem suspeitas relacionadas à gestão e à concessão de empréstimos a empresas vinculadas ao grupo controlador.

Peña, de 47 anos, foi eleito presidente em abril de 2023 pelo Partido Colorado, de orientação conservadora. Ele sucedeu Mario Abdo Benítez, também integrante da legenda.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia