Abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições

Abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições

Redação Alô Alô Bahia

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Tânia Rêgo/Agência Brasil

Publicado em 17/10/2026 às 14:47

Levantamento aponta aumento da participação de idosos nas urnas; número de eleitores nessa faixa etária chegou a 17,2 milhões no país

A abstenção de eleitores com mais de 70 anos caiu 9,7 pontos percentuais no primeiro turno das eleições de 2026, em comparação com 2022. Segundo levantamento do Movimento Voto 70+, realizado com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o percentual de idosos nessa faixa etária que deixaram de votar passou de 58,8% para 49,1%.

A redução ocorreu mesmo com o crescimento do eleitorado acima dos 70 anos, que passou de 14,9 milhões de pessoas, em 2022, para 17,2 milhões em 2026. Considerando também os brasileiros com mais de 60 anos, o grupo reúne 36,8 milhões de eleitores.

No eleitorado brasileiro em geral, a abstenção no primeiro turno foi de 21,08%, o equivalente a aproximadamente 33 milhões de pessoas que não compareceram às urnas.

No Brasil, o voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos, assim como para cidadãos analfabetos e jovens de 16 e 17 anos. Eleitores com mais de 80 anos também têm prioridade nas filas das seções eleitorais.

De acordo com os dados do TSE, o comparecimento diminui progressivamente conforme a idade avança. Entre os eleitores de 70 a 74 anos, 68,77% foram votar. O índice cai para 52,23% entre aqueles de 75 a 79 anos e para 37,12% na faixa de 80 a 84 anos.

Entre os brasileiros de 85 a 89 anos, o comparecimento foi de 24,30%. Já entre os eleitores de 90 a 94 anos, o percentual ficou em 13,46%, chegando a 4,34% entre aqueles de 95 a 99 anos.

Para Cléa Klouri, idealizadora do Movimento Voto 70+, o aumento da participação representa um avanço na inclusão política da população idosa.

“Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro”, afirmou.

Dificuldades para votar

Uma pesquisa exploratória realizada pelo Movimento Voto 70+ identificou diferentes motivos que levam idosos a deixar de votar.

Entre eles estão a percepção de que o próprio voto não faz diferença, a sensação de que os resultados eleitorais já não terão impacto sobre suas vidas e dificuldades práticas, como deslocamento até os locais de votação, filas e dependência de familiares ou terceiros.

Segundo Adriana de Queiroz, pesquisadora do Data8, compreender essas diferenças é fundamental para reduzir a abstenção.

“Entender essas diferenças é importante para compreender por que um eleitorado que cresce tão rapidamente continua apresentando níveis tão elevados de abstenção”, destacou.

Campanha incentiva participação no segundo turno

Para o segundo turno das eleições, o Movimento Voto 70+ prepara a campanha “Vovó Vota”, que busca incentivar a participação de mulheres idosas por meio do apoio de netas e familiares.

A iniciativa pretende ajudar eleitoras a superar dificuldades de mobilidade, organizar o deslocamento até os locais de votação e conferir a documentação necessária.

Dados reunidos pelo Data8 mostram que, em 2022, 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram, percentual dez pontos superior ao registrado entre os homens da mesma faixa etária.

Outro incentivo para a participação dos idosos é a possibilidade de o comparecimento às urnas ser utilizado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) como prova de vida automática para aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais.

Em 2026, a medida também contempla quem não participou do primeiro turno, mas decidir comparecer à votação no segundo.

 

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