A presença do peixe-leão tem mobilizado pescadores e pesquisadores no litoral do Extremo Sul da Bahia. Em apenas dois meses, 966 exemplares foram entregues na Colônia de Pescadores Z-22, em Porto Seguro, como parte de uma estratégia para reduzir a presença da espécie invasora na região.
Do total, 442 peixes foram registrados em agosto e outros 524 em setembro. Os pescadores recebem R$ 10 por exemplar capturado. Os números, porém, não representam necessariamente animais encontrados dentro dos limites de Porto Seguro, já que os pescados são levados à colônia por profissionais que atuam em diferentes pontos do Extremo Sul.
O peixe-leão chama atenção pelo risco ambiental e também pelo perigo para quem entra em contato com o animal. Os espinhos possuem veneno neurotóxico, capaz de provocar acidentes, e a espécie é considerada invasora no litoral brasileiro.
Além de incentivar a retirada dos animais, a iniciativa busca ampliar a identificação do peixe-leão entre os pescadores e acompanhar a expansão da espécie. Exemplares em condições adequadas são encaminhados à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) para pesquisas. Em setembro, uma amostra também foi enviada ao Senac para estudos relacionados ao aproveitamento gastronômico do pescado.
Presença também em áreas protegidas
No Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, onde a pesca é proibida, o controle ocorre por meio de monitoramento científico e treinamento de profissionais. Em setembro, dois peixes-leão foram encontrados na unidade e retirados por equipes capacitadas.
A espécie também já foi registrada em pontos conhecidos de Salvador, como Farol da Barra e Porto da Barra. Há ainda registros em outros estados do Nordeste, incluindo Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Alagoas, indicando a expansão do predador pela costa brasileira.