No solo autoral “O que Meu Peito Carrega sobre Mim”, a atriz e produtora Luiza Mariani, neta do banqueiro baiano Clemente Mariani, parte de um diagnóstico de câncer de mama para refletir sobre corpo, identidade, memória e os diferentes significados atribuídos ao peito feminino ao longo da história.
A temporada de estreia acontece entre 29 de outubro e 20 de dezembro, no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, com apresentações de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h. A produção é assinada por Pablo Sanábio e pela própria Luiza.
O espetáculo nasceu após a atriz ser diagnosticada com câncer de mama, em novembro de 2024. Em fevereiro de 2025, ela passou por uma mastectomia dupla. A experiência a levou a revisitar a própria trajetória e as transformações de seu corpo, marcada por quatro cirurgias ao longo da vida, incluindo uma redução mamária aos 19 anos, além das dificuldades que enfrentou para amamentar os dois filhos.
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A partir dessas vivências, Luiza amplia o olhar para investigar como diferentes épocas construíram significados e expectativas em torno do peito feminino. O solo aborda temas como maternidade, padrões de beleza, desejo e sobrevivência, estabelecendo conexões com diferentes períodos históricos.
Entre as referências estão a Deusa Diana de Éfeso, as amas de leite do Brasil colonial, a perseguição às mulheres durante a Inquisição e a popularização das próteses de silicone nos anos 1990. Sob direção de Bia Lessa, a montagem aproxima essa perspectiva histórica das transformações vividas pela própria atriz.
Em 2025, a atriz também esteve à frente de outro projeto centrado em uma personagem feminina e nas questões de seu tempo. Luiza protagonizou e produziu “Cyclone”, filme sobre Maria de Lourdes Castro Pontes, a Cyclone, figura ligada ao movimento modernista brasileiro que morreu aos 19 anos. No novo trabalho, ela volta a ocupar também a função de criadora, desta vez transformando a própria história em matéria para o palco.