Rim de 111 anos segue funcionando após transplante de mãe para filha

Rim de 111 anos segue funcionando após transplante de mãe para filha

Redação Alô Alô Bahia

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TV Globo / Reprodução

Publicado em 28/09/2026 às 08:47

Um rim doado de mãe para filha há 57 anos continua funcionando e alcançou uma marca excepcional: 111 anos de idade biológica. O transplante foi realizado em 1969, quando esse tipo de procedimento ainda dava seus primeiros passos no Brasil.

O órgão foi doado por Guiomar, que tinha 54 anos na época, para a filha, Maria Célia Lamounier. Ainda jovem, Maria Célia enfrentou um quadro de insuficiência renal e chegou a passar por três sessões de hemodiálise antes da cirurgia.

O transplante aconteceu apenas cinco anos depois do primeiro procedimento renal realizado no Brasil, em 1964. Naquele período, o país fazia menos de 50 transplantes por ano e a medicina ainda não contava com recursos hoje considerados básicos, como ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Mesmo diante das limitações da época, o resultado atravessou décadas. Maria Célia vive há 57 anos com o rim da mãe e relata nunca ter enfrentado episódios de rejeição ou intercorrências relacionadas ao órgão. Guiomar, por sua vez, seguiu a vida com apenas um rim e morreu aos 97 anos, sem complicações decorrentes da doação.

O caso é considerado excepcional. Segundo o nefrologista José Medina Pestana, a maioria dos rins transplantados permanece em funcionamento por um período entre 20 e 30 anos. A doação entre mãe e filha, que aumenta as chances de compatibilidade, é um dos fatores que podem ter contribuído para a longevidade do órgão.

Mais de cinco décadas depois daquele transplante, o cenário brasileiro mudou. Atualmente, cerca de 27 mil transplantes são realizados por ano no país, sendo aproximadamente 6 mil de rins. Os procedimentos são custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que também fornece os medicamentos utilizados para evitar a rejeição do órgão.

A história de Maria Célia também guarda uma conexão que atravessou gerações. O rim que passou 54 anos no corpo de Guiomar já está há outros 57 no organismo da filha — somando 111 anos de idade biológica.

A história foi exibida neste domingo (27) pelo Fantástico, da TV Globo. As informações são do g1.

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