Benedita Casé Zerbini faz sua estreia como atriz nesta segunda-feira (28), com a exibição de “90 Decibéis” na Tela Quente, da TV Globo. Protagonizado pela filha de Regina Casé, o longa vai ao ar após a novela “Quem Ama Cuida” e acompanha uma mulher que precisa reconstruir a própria vida diante da perda progressiva da audição.
No filme, Benedita interpreta Ana, uma advogada bem-sucedida e mãe de um menino de sete anos. Depois de sofrer um acidente de carro com o filho, ela percebe que a dificuldade para ouvir, que já vinha notando, está se agravando. Uma audiometria confirma que a perda auditiva irá progredir até a surdez profunda. A partir daí, a personagem precisa lidar não apenas com a nova condição, mas também com os impactos na vida profissional, afetiva e social.
Surda oralizada, Benedita vive uma personagem cuja trajetória tem pontos de contato com sua própria experiência. O roteiro é assinado por Julia Spadaccini, que também é surda e foi diagnosticada na vida adulta com perda auditiva bilateral progressiva. A roteirista utilizou experiências pessoais como inspiração para construir Ana, embora a personagem tenha uma história própria.

Cerca de 70% do elenco é formado por artistas com deficiência | Foto: Helena Barreto/TV Globo
A produção também chama atenção pela representatividade diante das câmeras, já que cerca de 70% do elenco é formado por pessoas com deficiência. O elenco reúne ainda Maurício Destri, Stefano Carta, Pedro Neschling, Haonê Thinar, Andrea Neves, Leandro Ramos, Pedro Fernandes e outros nomes, além de participações especiais.
Dirigido por Fellipe Barbosa, “90 Decibéis” é uma produção do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo. Antes de chegar à televisão aberta, o longa passou por festivais no Brasil e no exterior. A produção teve sua estreia mundial no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, em 2025, e integrou a mostra Première Brasil: Hors Concours do Festival do Rio. Em 2026, também foi finalista do New York Festivals TV & Films Awards.
Para Benedita, o filme amplia a discussão sobre deficiências que nem sempre são percebidas pelas pessoas ao redor. “Esse filme é uma lupa para muitas deficiências que não são aparentes, que as pessoas têm muita dificuldade de falar sobre. Cada um tem o seu tempo, seu processo, mas eu acho que isso vai ajudar a abrir a cabeça das pessoas. Já passou da hora da gente falar da luta anticapacitista no audiovisual também. O filme conta a história da Ana de uma forma muito bonita, trazendo muitas emoções e muitas reflexões”, afirmou a atriz.