A Bahia realizou 696 transplantes entre janeiro e agosto de 2026, mas 4.212 pessoas ainda aguardam na fila por órgãos e tecidos no estado. Mais de 98% dos pacientes esperam por um rim ou córneas. Diante desse cenário, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira – Regional Bahia (AMIB-BA) destaca o papel estratégico das UTIs no processo de doação.
A discussão ganha força durante o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. Em reunião com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a entidade debateu medidas para qualificar o sistema, como a agilidade no protocolo de morte encefálica, a manutenção do potencial doador e a capacitação das equipes de terapia intensiva.
Segundo a médica neurointensivista Juliana Caldas, a maioria das mortes encefálicas ocorre dentro das UTIs, o que torna a atuação dos intensivistas fundamental.
“O papel é mais do que estratégico, ele é necessário e de uma responsabilidade sem tamanho, visto que a maioria das mortes encefálicas acontecem dentro das unidades de terapia intensiva”, afirma.
A especialista também chama atenção para a necessidade de reduzir o intervalo entre os exames clínicos exigidos no diagnóstico e reforçar o acolhimento às famílias. Na Bahia, a taxa de negativa familiar chega a quase 70%.
A AMIB-BA também defende o fortalecimento e a interiorização da rede de transplantes. Atualmente, a Bahia conta com serviços em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna e Juazeiro, além de trabalhar na implantação de novas modalidades em cidades como Teixeira de Freitas, Jequié, Barreiras e Ilhéus.