Setembro chega com uma tradição que já faz parte do calendário da família da dentista Patrícia Matias. É neste mês, aniversário da filha Bella, que ela prepara o chamado “caruru de Bella” e reúne sete crianças para celebrar uma história que começou com uma promessa.
A relação de Patrícia com o prato, no entanto, é bem mais antiga. Ela cresceu vendo a avó, a mãe e a madrinha prepararem o caruru de São Cosme e São Damião. Ainda pequena, fazia questão de participar dos preparativos, ajudando a comprar os ingredientes, cortar o quiabo e organizar as quentinhas que seriam distribuídas. “Caruru, para mim, é memória, amor, família e fé”, conta.
A tradição ganhou um significado ainda mais pessoal depois do nascimento de Bella, em 24 de setembro. Nos primeiros meses de vida, a menina foi diagnosticada com alergia à proteína do leite. Preocupada com a saúde da filha, Patrícia fez uma promessa a São Cosme e São Damião: pedir pela recuperação de Bella e, em agradecimento, preparar um caruru para sete crianças.

Bella e Patrícia mantêm viva uma tradição de família que mistura fé, memória e carinho – FOTO: Acervo Pessoal
O pedido se transformou em uma tradição que atravessa os anos. Desde então, setembro passou a reunir aniversário, família e o preparo do caruru em uma mesma celebração. “Uma promessa feita com fé e que se transformou em uma das celebrações mais lindas da nossa família”, afirma.
A história também já ficou conhecida entre pessoas próximas. Quando o mês de setembro se aproxima, Patrícia conta que é comum ouvir a pergunta: “E o caruru de Bella?”.
Tradição que atravessa gerações
Na Bahia, o caruru de sete meninos está associado às celebrações de São Cosme e São Damião e aos Ibejis, ligados à infância. A quantidade de crianças e a forma de servir podem variar de acordo com a tradição de cada família.
Para Patrícia, manter o ritual também é uma maneira de apresentar à filha os valores que fizeram parte da própria infância. O caruru, nesse caso, ultrapassa a comida e se transforma em uma forma de preservar memórias e transmitir ensinamentos.

O caruru de São Cosme e São Damião atravessa gerações e celebra os santos gêmeos – FOTO: Amanda Oliveira
“Hoje, quando faço caruru, sinto que estou mantendo viva uma tradição da minha família e ensinando à minha filha o valor da fé, da gratidão, da generosidade e do amor ao próximo”, diz.
A cada setembro, a celebração ganha novos capítulos: crianças reunidas, família por perto e uma mesa preparada para agradecer. Para Patrícia, é justamente essa combinação que mantém a promessa viva.
“Porque, no fim, o caruru nunca foi apenas uma comida. É a nossa forma de celebrar a vida, agradecer pelas bênçãos recebidas e compartilhar amor.”