O ministro Bruno Dantas anunciou nesta segunda-feira (31) que protocolou seu pedido de renúncia ao cargo no Tribunal de Contas da União (TCU). Aos 48 anos, o baiano deixa a Corte após mais de 12 anos e encerra uma trajetória de quase três décadas no serviço público.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Dantas contou que chegou a Brasília há 28 anos, ainda jovem e vindo de Feira de Santana, na Bahia, em busca de uma carreira no serviço público.
“Há 28 anos, eu, um jovem baiano vindo de Feira de Santana, chegava à Brasília, com todos os sonhos do mundo. Encontrei no concurso público a porta democrática para o caminho da missão de servir, e não saí mais”, afirmou.
Ao anunciar a saída, o ministro destacou que considera a rotatividade nos altos cargos uma característica positiva para as instituições. “Encerro este ciclo com a serenidade e com a convicção republicana de que a rotatividade nos altos cargos é uma virtude. As instituições se fortalecem quando seus quadros sabem chegar e sabem partir”, disse.
Dantas também indicou que pretende iniciar uma nova etapa profissional, sem dar mais detalhes. “Aos 48 anos, sigo intelectualmente inquieto e encontrei, nos projetos que quero abraçar agora, o feixe de motivação de que precisava”, declarou.
No encerramento, agradeceu aos colegas do TCU, auditores, integrantes de sua equipe, ao Senado Federal e, principalmente, à família.
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Trajetória no TCU
Bruno Dantas foi indicado pelo Senado Federal para o cargo de ministro do TCU em 2014, aos 36 anos. Antes de chegar à Corte, construiu boa parte da carreira no Senado, onde ingressou como consultor legislativo em 2003, após aprovação em concurso público. De 2007 a 2011, ocupou o cargo de consultor-geral da Casa.
Também passou pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de integrar a comissão de juristas responsável pela elaboração do anteprojeto do novo Código de Processo Civil. Na área acadêmica, é doutor e mestre em Direito Processual Civil e pós-doutor em Direito.
No TCU, Dantas ocupou a vice-presidência entre 2021 e 2022 e assumiu a presidência da Corte em 2023. Ele foi eleito por unanimidade pelos demais ministros para comandar o tribunal e permaneceu à frente da instituição por dois anos.
Durante sua gestão, o TCU deu destaque à solução consensual de conflitos, à transformação digital, à transparência e ao controle da responsabilidade fiscal. No balanço apresentado ao fim de sua presidência, o tribunal informou que os resultados de sua atuação no biênio superaram R$ 243 bilhões em benefícios, enquanto o estoque de processos pendentes foi reduzido em 42%.
A saída de Dantas também terá impacto na composição do TCU. A vaga, originalmente destinada ao Senado, deve abrir espaço para uma nova indicação da Casa. Segundo analistas políticos, o senador Rodrigo Pacheco aparece como favorito para ocupar a cadeira.