Uma nova opção de tratamento para determinados pacientes com câncer de pâncreas metastático foi aprovada nos Estados Unidos nesta quarta-feira (26). A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana, autorizou o uso do daraxonrasib, comercializado no país como Rasonque.
O medicamento ganhou repercussão internacional em junho, quando os resultados de um estudo clínico foram apresentados durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago, um dos principais congressos de oncologia do mundo.
Na ocasião, os dados provocaram uma reação incomum entre os especialistas presentes: médicos se levantaram para aplaudir os resultados e houve relatos de emoção na plateia.
A autorização da FDA contempla adultos com adenocarcinoma de pâncreas metastático que já receberam pelo menos um tratamento sistêmico anterior ou que não podem receber uma combinação de diferentes medicamentos sistêmicos.
Segundo a agência americana, a aprovação aconteceu cerca de seis meses e meio antes da data prevista para a conclusão da análise regulatória.
“A aprovação de hoje oferece uma nova opção fundamental para pacientes diante de um câncer extraordinariamente difícil e historicamente complicado de tratar”, afirmou Kyle Diamantas, comissário interino da FDA.
Resultados chamaram atenção de oncologistas
O daraxonrasib é administrado uma vez ao dia, por via oral, e atua sobre diferentes formas da proteína RAS, envolvida no crescimento dos tumores e frequentemente alterada em casos de adenocarcinoma de pâncreas.
Os resultados apresentados na ASCO são provenientes do estudo de fase 3 RASolute 302, realizado com 500 pacientes, divididos aleatoriamente entre o tratamento com o novo medicamento e a quimioterapia convencional.
Entre os pacientes com a mutação RAS G12, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses com o daraxonrasib, contra 6,6 meses com a quimioterapia. O tratamento também foi associado a uma redução de 60% no risco de morte.
O tempo mediano até a doença voltar a avançar passou de 3,5 meses com a quimioterapia para 7,3 meses com o comprimido.
Outro resultado foi observado na resposta dos tumores ao tratamento. Mais de 31% dos pacientes que receberam daraxonrasib apresentaram redução mensurável do tumor, ante 11,2% entre aqueles tratados com quimioterapia.
Também houve diferença nas interrupções provocadas por efeitos colaterais: 1,2% dos pacientes tratados com daraxonrasib precisaram suspender o medicamento, enquanto a taxa chegou a 11,2% no grupo da quimioterapia.
Os pesquisadores concluíram que o medicamento deve se tornar uma nova referência de tratamento em segunda linha para esse grupo de pacientes com câncer de pâncreas metastático.