Mais de 700 políticos mudam de cor ou raça para o pleito de 2026, revela levantamento

Mais de 700 políticos mudam de cor ou raça para o pleito de 2026, revela levantamento

Redação Alô Alô Bahia

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Redação Alô Alô Bahia

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Publicado em 13/08/2026 às 11:10

Um levantamento realizado pelo portal g1 revela que 786 políticos registrados para disputar as eleições de 2026 alteraram sua declaração de cor ou raça em comparação ao pleito de 2022.

Esse volume representa 4,5% das 17.413 candidaturas cadastradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até a noite da última quarta-feira (12). Os dados, no entanto, ainda podem sofrer atualizações, visto que o prazo final para os partidos oficializarem os registros se encerra às 19h deste sábado (15).

Apesar do número expressivo, o cenário atual aponta para uma queda em relação a 2022. Naquela eleição, o g1 identificou 2.510 mudanças de autodeclaração (9% do total de candidatos).

A transição racial mais comum registrada pela Justiça Eleitoral para 2026 foi de candidatos brancos que passaram a se declarar pardos, totalizando 308 episódios. O fluxo inverso, de pardo para branco, ocorreu 262 vezes. Juntas, essas duas oscilações representam 72,5% de todas as divergências.

Após as mudanças, o panorama de autodeclarações desse grupo de 786 pessoas ficou dividido da seguinte forma:

  • Parda: 419 (53,3%)
  • Branca: 275 (34,9%)
  • Preta: 76 (9,6%)
  • Indígena: 9 (1,1%)
  • Amarela: 7 (0,9%)

Considerando o grupo de pessoas negras, 313 candidatos deixaram as categorias branca ou amarela em 2022 para preta ou parda em 2026. Na contramão, 269 deixaram as opções preta e parda e migraram para branca ou amarela.

Concentração no Legislativo e liderança partidária

A esmagadora maioria das mudanças de raça (95,8%) está concentrada na disputa por vagas no Legislativo. São 452 postulantes a deputado estadual, 279 a deputado federal e 22 a deputado distrital.

O restante envolve casos pontuais ao Senado (8), governos estaduais (7), suplências (9), vices-governadores (7) e apenas uma divergência na disputa para a vice-presidência da República, um candidato do partido UP que passou de preto para pardo. Não há registros de alteração entre os postulantes à Presidência.

Em números absolutos (sem considerar a proporção pelo tamanho da sigla), o Republicanos lidera a estatística, com 75 casos. A sigla é seguida pelo PL, com 70, e pelo MDB, com 62.

Diante dos dados, algumas legendas detalharam suas diretrizes:

  • PSD: Argumentou que cumpre a legislação e que a informação é uma autodeclaração de responsabilidade exclusiva do candidato;
  • PT: Afirmou ter adotado uma banca de heteroidentificação neste ano para os postulantes que se declaram pretos ou pardos;
  • PSOL: Relatou a contratação de uma comissão externa do Instituto Quilombação para analisar fenótipos, destacando que candidaturas negras recebem até 15% a mais em recursos.

O peso financeiro da autodeclaração

A identificação racial vai muito além do perfil do candidato: ela impacta diretamente a divisão de recursos públicos. A legislação garante que, no mínimo, 30% da verba do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário seja destinada a campanhas de pessoas pretas e pardas.

Para evitar fraudes no sistema de cotas financeiras, o preenchimento automático das fichas neste ano exige validação individual.

Se um político muda sua declaração para preta, parda ou indígena divergindo de registros anteriores, o TSE intima o partido e o candidato para confirmarem a alteração.

Caso o erro seja reconhecido ou a intimação seja ignorada, o registro é revertido para a cor anterior e o acesso ao fundo destinado às cotas é bloqueado.

O caso também deve ser notificado ao Ministério Público Eleitoral para investigação. O TSE não possui uma comissão própria de heteroidentificação; divergências mantidas pelos candidatos serão analisadas durante o julgamento oficial do registro da candidatura.

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