A Inteligência Artificial está cada vez mais presente na vida íntima das pessoas e começa a redefinir os limites dos relacionamentos. É o que aponta o Estudo Gleeden 2026 – Inteligência Artificial, Erotismo e Novas Fronteiras dos Relacionamentos no Brasil, que revela que a maioria dos brasileiros não considera o uso da IA para experiências eróticas uma forma de traição, enquanto quase metade já se sente confortável para desabafar emocionalmente com sistemas de inteligência artificial.
O levantamento foi realizado durante a 12ª edição da Intimi Expo, maior feira internacional de negócios do mercado íntimo e sensual, e ouviu 1.271 participantes, dos quais 78% eram mulheres, com predominância da faixa etária entre 26 e 35 anos.
Segundo a pesquisa, 51,2% dos entrevistados afirmam que utilizar Inteligência Artificial para fins eróticos não configura infidelidade. Outros 29% classificam a situação como uma “zona cinzenta”, enquanto 19,8% entendem que esse comportamento pode ser considerado traição, indicando que a tecnologia vem criando novos debates éticos sobre a vida afetiva.
A IA também tem conquistado espaço como apoio emocional. Quase metade dos participantes (48,5%) disse já se sentir confortável para conversar sobre sentimentos com sistemas de inteligência artificial, sendo 18,6% de forma frequente e 29,9% ocasionalmente. Para especialistas, fatores como anonimato, sensação de segurança e ausência de julgamentos ajudam a explicar esse comportamento.
Apesar disso, os vínculos humanos ainda são vistos como insubstituíveis. Para 44,6% dos entrevistados, a IA jamais conseguirá substituir os sentimentos humanos, enquanto 27,8% acreditam que isso pode ocorrer apenas parcialmente.
No campo da sexualidade, o uso da tecnologia ainda é novidade para a maioria: 68,8% nunca recorreram à IA para experiências eróticas. Ainda assim, o interesse é significativo, com 53,8% afirmando que poderiam utilizar esse tipo de recurso no futuro.
A principal motivação apontada não é o conteúdo erótico em si, mas a privacidade. Para 32,4% dos entrevistados, esse é o maior atrativo da tecnologia, seguido pela ausência de julgamentos (19,7%), pela possibilidade de personalização (18,7%), pela variedade de experiências (16,9%) e pela disponibilidade permanente (12,3%).
A pesquisa também investigou como os participantes lidariam com esse tipo de experiência dentro de um relacionamento. Quase metade (49,7%) afirmou que contaria ao parceiro caso utilizasse IA para interações íntimas, enquanto 33,9% disseram que isso dependeria da situação. Já 16,4% prefeririam manter a informação em segredo.
Para a Gleeden, plataforma voltada a pessoas interessadas em relações não convencionais, os resultados indicam que a Inteligência Artificial não substitui os relacionamentos humanos, mas já ocupa um espaço relevante na forma como as pessoas vivenciam emoções, intimidade e sexualidade.