Em um desabafo raro e profundo sobre sua saúde mental, o ator Cauã Reymond abriu o jogo sobre os bastidores emocionais de um dos momentos mais celebrados de sua carreira.
Durante sua participação no Charla Podcast na noite da última quarta-feira (29), em conversa que também contou com o humorista Marcelo Adnet, o galã revelou ter enfrentado um quadro depressivo logo após o estrondoso sucesso da novela “Avenida Brasil” (2012).
Apesar de vivenciar o que muitos considerariam o cenário perfeito, o topo profissional, um casamento feliz com uma pessoa especial e o nascimento da filha, o artista confessou que o sentimento predominante era o de vazio.
“Eu vivi um momento de muito sucesso, (…) tudo estava certo na minha vida, e eu não me sentia preenchido”, relatou. Ele pontuou que, embora o problema não o tenha paralisado a ponto de impedi-lo de manter sua rotina de acordar cedo e surfar, a insatisfação interna era inegável.
O choque entre a realidade de suas conquistas e sua pesada bagagem pessoal foi um dos fatores centrais para o declínio emocional. Tocando no assunto de forma atipicamente aberta, Cauã detalhou um histórico familiar atravessado por episódios severos e perdas dolorosas.
O ator relembrou a dura realidade de suas raízes: sua mãe, que trabalhou como empregada doméstica, era adotada e portadora do vírus HIV; sua avó enfrentou os desafios de ser mãe solteira; e sua tia, também adotada e diagnosticada com esquizofrenia, foi assassinada dentro de um hospício.
Diante de um passado classificado por ele mesmo como “extremamente trágico”, absorver o patamar de estabilidade financeira, fama e estrutura familiar tornou-se um grande desafio psicológico.
“Nunca imaginei, de onde eu saí, chegar até aqui”, desabafou o artista, explicando que levou um bom tempo para processar essa mudança drástica de realidade e conseguir, de fato, ser grato por ela.
Na conversa, Reymond aproveitou para propor uma reflexão e desmistificar a ideia de que o sucesso blinda as pessoas contra o sofrimento emocional.
Na visão do ator, é frequentemente no auge, e não durante a dura caminhada de ascensão, que as maiores dificuldades psicológicas se manifestam, já que muitos têm dificuldade de aceitar as próprias conquistas.
A chave para atravessar o período turbulento e compreender o que estava se passando em sua mente foi o suporte psicológico. O ator creditou o processo de aceitação e cura às sessões em consultório. “[Saí dessa] através da terapia, conversando, errando. Eu caio e levanto, quero aprender com meu erro”, concluiu.